O adolescente que apareceu vestindo um uniforme com referências às forças armadas da Alemanha nazista durante uma festa de formatura em Mossoró, no Rio Grande do Norte, divulgou um vídeo de retratação nesta semana. Nele, o jovem afirmou que adquiriu a roupa em uma feira na cidade de Fortaleza, no Ceará, sem imaginar a repercussão negativa do ato.
Segundo o adolescente, a intenção era apenas usar mais uma fantasia, sem consciência da gravidade do simbolismo envolvido. Ele afirmou que não previa a dimensão que o episódio poderia tomar.
O caso aconteceu no último sábado (10), durante a festa de formatura em medicina de duas primas do jovem. Imagens que circularam nas redes sociais mostram, além do traje, o adolescente realizando a saudação nazista, gesto historicamente associado ao regime de Adolf Hitler.
Após a repercussão, o garoto pediu desculpas publicamente. Ele afirmou que costuma se fantasiar de personagens históricos e fictícios, como Napoleão, Jason e Capitão América, e que acreditou estar apenas representando mais um personagem. Segundo ele, não houve intenção de ofender.
A legislação brasileira considera crime a apologia ao nazismo desde 1989, com pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. Por se tratar de um menor de idade, o ato é enquadrado como infração análoga a crime.
Investigação em andamento
O Ministério Público e a Polícia Civil do Rio Grande do Norte abriram investigação para apurar o caso. O adolescente reside no Ceará com a família, que possui empreendimentos no litoral do estado. Devido à distância, a polícia potiguar deve expedir cartas precatórias para que o jovem e seus responsáveis sejam ouvidos pela Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente Infrator, em Mossoró.
A 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró instaurou um procedimento extrajudicial para coletar informações sobre o episódio. A instituição informou que várias denúncias recebidas foram reunidas em um único processo para facilitar a apuração.
Em nota, a Facene, faculdade à qual pertenciam os formandos, informou que não participou da organização do evento, realizado por uma empresa de cerimonial, mas repudiou veementemente a atitude do adolescente. A instituição destacou que o ato afronta valores democráticos, a dignidade humana e a memória das vítimas do nazismo. A faculdade também afirmou que adotará medidas para reforçar orientações sobre eventos privados e evitar situações semelhantes.
A empresa responsável pela organização da festa declarou que o adolescente entrou no evento acompanhado dos pais e sem qualquer vestimenta inadequada. Segundo a Master Produções e Eventos, a troca de roupa ocorreu em um momento pontual, sem o conhecimento da organização, apenas para registros fotográficos pessoais.
Em nota, a empresa também repudiou o ocorrido e afirmou que não compactua com qualquer manifestação ligada ao nazismo ou a ideologias de ódio, reforçando que esse tipo de conduta não será tolerado em eventos sob sua responsabilidade.
Fonte: G1