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Alta da gasolina no RN vira alvo de investigação federal após preço chegar a quase R$ 7,50

O aumento recente no preço da gasolina no Rio Grande do Norte entrou na mira do governo federal. A Secretaria Nacional do Consumidor, ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil, enviou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica pedindo investigação sobre os reajustes registrados no estado, mesmo sem aumento anunciado pela Petrobras.

O pedido foi encaminhado nesta semana e também inclui apuração em outros locais do país, como Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e o Distrito Federal.

Nos últimos dias, motoristas foram surpreendidos com aumentos superiores a 40 centavos por litro em alguns postos de Natal. Em determinadas bombas, o combustível chegou perto de R$ 7 e, nesta quarta-feira, já havia registros de até R$ 7,49 na Grande Natal.

Investigação busca indícios de prática anticoncorrencial

Segundo a Senacon, a solicitação ao Cade foi motivada por declarações públicas de representantes do setor que apontaram aumento de preços por parte das distribuidoras, sob justificativa da alta do petróleo no mercado internacional devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã.

O órgão federal destacou, porém, que até o momento a Petrobras não anunciou reajustes nas refinarias.

Com isso, o Cade foi acionado para avaliar se há indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência, como alinhamento ou combinação de preços entre empresas do setor.

O conselho é responsável por investigar infrações econômicas e pode abrir processos, aplicar multas ou recomendar medidas corretivas quando identifica irregularidades no mercado.

Setor de postos atribui aumento ao preço internacional

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte, Maxwell Flor, afirmou que o aumento está ligado à valorização do petróleo no mercado internacional.

Segundo ele, o barril que no início do ano custava cerca de 60 dólares já teria atingido aproximadamente 120 dólares após a intensificação do conflito no Oriente Médio.

Ele explicou que parte do combustível comercializado no estado depende de importação e de refinarias que seguem preços internacionais, como a Refinaria Clara Camarão, localizada no Rio Grande do Norte, e unidades privadas como a Acelen, responsável pela refinaria da Bahia.

De acordo com o dirigente, essa dinâmica faz com que o Nordeste seja mais sensível a variações externas.

Guerra pressiona petróleo no mundo

A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo ao maior nível em cerca de quatro anos, ultrapassando os 100 dólares por barril.

A tensão internacional afeta regiões estratégicas de produção e transporte da commodity, incluindo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de exportação de petróleo e gás.

Mesmo com essa disparada no mercado internacional, os preços no Brasil não seguem automaticamente essas variações. Desde 2023, a Petrobras abandonou a política de paridade de importação e passou a adotar um modelo que considera fatores internacionais e o mercado interno, com reajustes mais graduais.

O último ajuste da gasolina ocorreu em janeiro de 2026, quando houve redução de R$ 0,14 por litro nas refinarias. Já o diesel teve seu último corte em maio de 2025.

Especialistas apontam que essa política ajuda a evitar aumentos imediatos ao consumidor, mas alertam que, se a diferença entre os preços internos e internacionais crescer demais, novos reajustes podem acabar sendo necessários.

Fonte: G1 RN

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