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América fecha acordo com Hipe após denunciar “maior escândalo de SAF do Brasil”

O América Futebol Clube chegou a um acordo judicial com a empresa Hipe, mesmo após ter denunciado o caso como o “maior escândalo de SAF do Brasil”. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (10) pelo presidente do clube, Hermano Morais, em entrevista ao Jornal 96.

A disputa girava em torno de uma dívida herdada pela associação, que deveria ser de responsabilidade da SAF. O acordo reduziu o valor a 20% do montante original, parte desse abatimento compensada em descontos nos aluguéis do Centro de Treinamento. A pendência vinha de gestões anteriores, sob condução informal da SAF, que deixaram compromissos em aberto.

As negociações provocaram atritos internos e levaram ao afastamento de dirigentes como Pedro Weber e outros membros, com a condução interina assumida por Vitor Arteiro. Após a saída oficial de alguns envolvidos, o acordo foi assinado e homologado, encerrando o processo judicial. Fontes do clube ressaltam, no entanto, que ainda podem surgir novas ações relacionadas ao caso.

Movimentações suspeitas

Entre abril e setembro de 2023, quase R$ 1 milhão teria circulado entre contas de empresas ligadas à Hipe e o América sem respaldo documental — não havia notas fiscais, contratos de mútuo ou recibos. Há registros de transferências pessoais feitas por Pedro Weber, atual CEO da SAF, além de aportes de empresas do grupo. O clube afirma que se tratava de uma “sociedade de fato” disfarçada, com os réus agindo como “donos do América”.

O impacto financeiro foi imediato: a folha salarial saltou de R$ 392 mil para R$ 703 mil em média, enquanto contratações e rescisões acumularam mais de R$ 500 mil em multas. Além disso, as ações trabalhistas já somam potenciais R$ 3,5 milhões em prejuízos.

O “caso Peiter”

Um dos pontos mais graves da denúncia envolve a avaliação financeira do clube antes da assembleia que aprovou a venda da SAF. O analista da XP Investimentos, Luiz Eduardo Peiter, avaliou inicialmente o valor do futebol do América em até R$ 42,8 milhões. Apenas uma semana depois, reduziu o valuation para R$ 17,6 milhões — justamente na véspera da votação.

Segundo a ação, a reviravolta não foi mero erro técnico: Peiter seria acionista da Hipe Participações, o que configuraria conflito de interesse e teria permitido ao grupo assumir 80% da SAF por valor muito abaixo do real.

O acordo agora homologado encerra este processo, mas deixa em aberto um rastro de polêmicas que ainda deve render desdobramentos dentro e fora do América.

Fonte: 96FM

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