O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou neste domingo (22/6) que viajará a Moscou para se reunir com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta segunda-feira (23). O encontro foi marcado após os ataques realizados pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas na noite de sábado (21).
Em entrevista coletiva realizada em Istambul, Araghchi destacou a parceria estratégica entre Teerã e Moscou e disse que o Irã busca “consultas sérias” com o Kremlin sobre os próximos passos diante da escalada do conflito com Israel e da intervenção norte-americana.
“A Rússia é amiga do Irã, e desfrutamos de uma parceria estratégica. Nós sempre nos consultamos e coordenamos nossas posições. Terei consultas sérias com o presidente russo amanhã, e continuaremos a trabalhar juntos”, afirmou o chanceler.
Contexto do ataque
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que forças americanas bombardearam três instalações nucleares do Irã no sábado (21), como resposta à crescente tensão entre Irã e Israel. Entre os alvos, estava o complexo subterrâneo de Fordow, que, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), possui capacidade para operar até 3 mil centrífugas de enriquecimento de urânio.
O ataque americano foi classificado pelo Irã como uma violação grave do direito internacional e um ato de agressão. “Os EUA cruzaram uma linha vermelha muito séria. Meu país foi atacado e tem direito à legítima defesa”, declarou Abbas Araghchi neste domingo.
Diplomacia sob pressão
Nos bastidores, a Rússia tem se posicionado como possível mediadora do conflito entre Israel e Irã. Na última semana, Putin chegou a discutir a situação com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, reforçando a preocupação com uma possível guerra de larga escala no Oriente Médio.
Enquanto isso, cresce a expectativa sobre a reação iraniana aos ataques. A ONU e outras lideranças globais alertam para o risco de consequências catastróficas caso o confronto se intensifique ainda mais.