Design sem nome (5)

Após operação contra o PCC, 22 carretas carregadas com combustível são abandonadas na Bahia

Um dia depois da megaoperação que desarticulou um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e fintechs, ao menos 22 carretas carregadas foram encontradas abandonadas em Camaçari, na Bahia, nesta sexta-feira (29).

Um vídeo registrou os veículos estacionados em um posto de gasolina da cidade. Do total, 13 carretas pertencem à G8Log, empresa apontada pela investigação como fachada para ocultar frota e lavar dinheiro.

Os “cabeças” do esquema

De acordo com a Polícia Federal, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Receita Federal, a G8Log está ligada a Mohamad Hussein Mourad, considerado o “epicentro” das operações fraudulentas, e a Roberto Augusto Leme da Silva, outro líder da estrutura criminosa. Ambos também controlavam a Copape (formuladora) e a Aster (distribuidora).

Como funcionava a fraude

  • O esquema começava com a importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá (PR).
  • O produto, que deveria ir para empresas de química e biodiesel, era desviado para postos de combustíveis.
  • Lá, era misturado à gasolina e vendido ao consumidor final.
  • A fraude era quantitativa (o consumidor recebia menos combustível) e qualitativa (o metanol não atende às exigências da ANP).

O dinheiro gerado pelo crime era lavado em uma rede de laranjas, empresas de fachada e até fintechs controladas pelo PCC, que operavam com contabilidade paralela para ocultar os beneficiários finais.

O tamanho do negócio

Segundo a Receita Federal, cerca de mil postos de combustíveis ligados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Parte desses valores foi usada para comprar usinas, distribuidoras, transportadoras e postos, ampliando o controle do PCC sobre o setor.

O Gaeco/MPSP ainda revelou que alguns donos de postos chegaram a vender seus estabelecimentos para o grupo criminoso, mas nunca receberam o pagamento. Quando tentaram cobrar, foram ameaçados de morte.

Fonte: Metrópoles

Compartilhe esse texto nas suas redes sociais: