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Braga Netto chama Mauro Cid de “mentiroso” em acareação no STF sobre trama golpista, diz defesa

O general da reserva Walter Braga Netto acusou o tenente-coronel Mauro Cid de mentir durante a acareação entre os dois realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (24), no âmbito da investigação sobre a suposta trama golpista após as eleições de 2022. A informação foi divulgada por José Luis de Oliveira Lima, advogado de Braga Netto.

Segundo o defensor, o ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo Bolsonaro confrontou diretamente o ex-ajudante de ordens da Presidência. “O general Braga Netto chamou de mentiroso em duas oportunidades o senhor Mauro Cid, que permaneceu de cabeça baixa, constrangido, e não respondeu”, afirmou o advogado, conhecido como Juca.

A audiência durou cerca de duas horas e foi conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, com participação do ministro Luiz Fux e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. As sessões não foram gravadas, mas atas oficiais serão divulgadas.

Versões divergentes

A defesa de Braga Netto apontou duas contradições entre os relatos de seu cliente e os de Cid: uma reunião ocorrida na casa do general, em novembro de 2022, e a suposta entrega de dinheiro feita por Braga Netto a Mauro Cid.

Durante a acareação, o tenente-coronel citou pela primeira vez um terceiro possível local para a entrega do dinheiro: além das duas garagens do Palácio da Alvorada, ele mencionou a sala dos ajudantes de ordens. Segundo o advogado Juca, Cid não apresentou provas concretas. “Ele não tem nenhuma evidência sobre essa suposta entrega”, disse.

Em um interrogatório anterior, Cid afirmou não se lembrar do local exato, mas que teria escondido o dinheiro “debaixo da mesa” para que ninguém visse.

Defesas em choque

Enquanto os advogados de Braga Netto e do ex-presidente Jair Bolsonaro acusam Cid de mentir e manipular informações, a defesa do tenente-coronel rebate. A advogada Vânia Bitencourt, que atua ao lado de César Bitencourt e Jair Alves Pereira, afirmou que seu cliente não se contradisse. “Foram apenas dois pontos controvertidos. E não vi Mauro Cid de cabeça baixa”, declarou.

Próxima acareação: Anderson Torres x Freire Gomes

Na sequência, outra acareação deve ocorrer entre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes. As defesas de Torres e Braga Netto pediram os confrontos para esclarecer divergências entre depoimentos. A principal linha de investigação gira em torno de reuniões no Palácio da Alvorada em que Jair Bolsonaro teria discutido medidas para reverter o resultado eleitoral.

Freire Gomes, ouvido como testemunha, afirma que Torres participou de pelo menos uma dessas reuniões. Já o ex-ministro da Justiça nega e sustenta que os registros de entrada no Alvorada mostram que ele e o comandante não estiveram no local ao mesmo tempo. Também está em análise um documento encontrado na casa de Torres que previa a decretação de estado de defesa – tema que, segundo Freire Gomes, foi debatido em reunião com Bolsonaro e os comandantes militares.

Braga Netto participa presencialmente pela primeira vez

Preso preventivamente desde dezembro em uma unidade militar no Rio de Janeiro, Braga Netto foi autorizado pelo STF a ir presencialmente à acareação em Brasília. É a primeira vez que ele deixa o local onde cumpre prisão. Nas oitivas anteriores, participou por videoconferência. Já Freire Gomes, que inicialmente pediu para participar remotamente de Fortaleza, desistiu e deve comparecer em pessoa.

As acareações, previstas no Código de Processo Penal, ocorrem quando há divergência entre versões de investigados e testemunhas sobre fatos relevantes. A expectativa é que novas revelações ajudem a esclarecer o envolvimento de autoridades civis e militares na tentativa de ruptura institucional após a eleição presidencial de 2022.

Fonte: O Globo

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