O Brasil contabiliza 41 casos confirmados de intoxicação por metanol e oito mortes relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados nesta quinta-feira (16). As ocorrências estão concentradas principalmente em São Paulo, mas também há registros e investigações em outros estados do país.
O órgão federal informou que foi criada uma Sala de Situação Nacional para monitorar os casos e coordenar ações de vigilância junto às secretarias estaduais e municipais de saúde. A medida tem o objetivo de fortalecer o rastreamento da origem das bebidas contaminadas e evitar novos episódios.
O metanol, também conhecido como álcool metílico, é uma substância altamente tóxica utilizada em processos industriais — como na fabricação de combustíveis, tintas e solventes — e não deve ser ingerido por seres humanos.
Quando consumido, o metanol é metabolizado em compostos como formaldeído e ácido fórmico, que podem causar danos graves ao sistema nervoso central, cegueira, insuficiência respiratória e até morte.
Os sintomas de intoxicação podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão e incluem dor de cabeça intensa, náuseas, visão turva, tontura, confusão mental e, em casos mais graves, coma.
A Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estão atuando em conjunto para rastrear os responsáveis pela produção e distribuição das bebidas adulteradas. Estabelecimentos suspeitos estão sendo fiscalizados e interditados, e amostras estão sendo analisadas para identificar a presença da substância.
Segundo o Ministério da Saúde, o foco das investigações é o mercado ilegal de bebidas, que utiliza o metanol em substituição ao etanol para reduzir custos de produção. Essa prática, além de criminosa, representa alto risco à vida humana.
O estado de São Paulo concentra o maior número de casos confirmados e mortes. Também há registros de intoxicação em Pernambuco, Goiás, Distrito Federal e Paraná, além de suspeitas em análise em outras regiões.
Em São Paulo, a Secretaria Estadual de Saúde informou que a maior parte das vítimas relatou ter consumido cachaça e outras bebidas destiladas compradas em comércios informais.
As autoridades alertam para que o consumidor evite bebidas de procedência duvidosa, sem rótulo, lacre original ou selo fiscal. Em caso de suspeita de adulteração, a orientação é não consumir o produto e denunciar às vigilâncias sanitárias locais.
Quem apresentar sintomas após ingerir bebida alcoólica deve procurar atendimento médico imediatamente e informar o possível consumo de bebida irregular.