O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) marcou para o dia 17 de outubro, às 14h, uma audiência pública presencial em Brasília para discutir a fusão entre as duas maiores redes de varejo pet do país, Petz e Cobasi. O encontro vai reunir representantes das empresas, especialistas do setor, fornecedores e entidades de defesa da concorrência.
A audiência, segundo o relator do caso, conselheiro José Levi Mello do Amaral Júnior, tem como objetivo garantir transparência e ampliar o debate público sobre os impactos da operação no mercado pet brasileiro, que vem crescendo de forma acelerada nos últimos anos. Embora o formato de audiência não seja uma prática obrigatória nos processos do Cade, a medida tem sido utilizada em casos de grande repercussão econômica.
A fusão entre Petz e Cobasi foi anunciada no início de 2024 e, se aprovada, criará um grupo com faturamento anual estimado em mais de R$ 6 bilhões e presença nacional consolidada. O negócio, porém, levanta preocupações sobre concentração de mercado e possível redução da concorrência, já que as duas companhias dominam o varejo especializado em produtos e serviços para animais de estimação.
Nos bastidores, o Cade vem aprofundando a análise da operação. O órgão enviou questionários a fornecedores e concorrentes para avaliar o grau de dependência comercial e os potenciais efeitos sobre preços e competitividade. As empresas também apresentaram novos dados de faturamento referentes a 2024, atendendo às solicitações da autarquia.
Em agosto, o Cade decidiu prorrogar por mais 90 dias o prazo de análise, estendendo a decisão final para novembro. A audiência pública, portanto, deve funcionar como uma etapa final de discussão antes do julgamento do caso.
As inscrições para participar do evento, com direito a fala ou envio de contribuições, podem ser feitas até o dia 10 de outubro. O resultado da audiência deve servir de base para o voto do relator e para a deliberação do plenário do Cade nas próximas semanas.
A operação entre Petz e Cobasi é considerada uma das maiores do setor pet no país e pode redefinir a dinâmica do mercado, que movimenta mais de R$ 60 bilhões por ano no Brasil. O segmento tem se expandido mesmo em períodos de desaceleração econômica, impulsionado pelo aumento no número de animais de estimação e pela busca crescente por produtos premium e serviços especializados.