Design sem nome (5)

Cadu Xavier diz que crise fiscal dominará pauta do próximo governador do RN

O secretário estadual da Fazenda e pré-candidato do PT ao Governo do Rio Grande do Norte em 2026, Carlos Eduardo Xavier, afirmou que qualquer futuro gestor terá de encarar um desafio inevitável: o aperto fiscal do Estado. Para ele, não há como fugir do tema. A declaração foi dada durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Natal, na quarta-feira, dia 10, data em que a Assembleia Legislativa aprovou a proposta orçamentária para 2026 com previsão de déficit de 1,54 bilhão de reais.

Cadu explicou que parte das análises sobre o orçamento foi feita de maneira equivocada. Ele reforçou que o rombo volta a aparecer por causa do déficit previdenciário, que se mantém em torno de 1,1 bilhão de reais. Além disso, o governo deve encerrar 2025 com aproximadamente 1,5 bilhão de reais em restos a pagar, número semelhante ao impacto da Previdência nas contas.

O secretário também rebateu a leitura de que a folha salarial vai crescer 40 por cento no próximo ano. Segundo ele, a projeção real é de até 8 por cento, resultado da política anual de reajuste baseada no IPCA e de acordos específicos com algumas categorias. Ele lembrou ainda que a definição do piso do magistério, prevista para janeiro, deve acrescentar entre 3 e 4,5 por cento ao total.

Entre os principais pontos de pressão sobre o orçamento estadual, Cadu destacou os reajustes do piso nacional dos professores. Em 2022 o aumento foi de 33 por cento e, em 2023, de 15 por cento. Para ele, foram percentuais fora da curva que impactaram diretamente a folha de uma categoria que reúne cerca de 40 mil profissionais entre ativos e aposentados. O resultado, segundo ele, foi um incremento superior a 50 por cento na despesa da Educação naquele período.

Cadu também comentou a evolução do comprometimento da receita corrente líquida com pessoal. Em julho de 2022 o índice foi de 53 por cento após a redução do ICMS. Depois voltou a subir para 58 por cento e agora está em torno de 55 por cento. Para ele, o debate sobre gasto com pessoal deve ser encarado com seriedade pelo governo que assume em 2027. Ele reforçou que não se trata de arrocho, mas de responsabilidade ao conceder apenas o que o Estado pode pagar, mesmo que isso gere desconforto.

Fátima pode ficar no governo em 2026, diz secretário

Sobre a sucessão estadual, Cadu Xavier afirmou que existe a possibilidade de a governadora Fátima Bezerra permanecer no cargo e não disputar o Senado no próximo ano, embora a pré-candidatura dela siga mantida. Ele disse não ver nenhum fato novo que o faça mudar essa percepção.

Rumores sobre uma eventual desistência do vice-governador Walter Alves em assumir o Executivo também foram mencionados. Para Cadu, essa possibilidade existe e pode levar Fátima a continuar no governo por mais tempo. Mesmo assim, ele destacou que a intenção da governadora é deixar o cargo em abril para disputar o Senado, missão que classificou como uma orientação direta do presidente Lula com o objetivo de fortalecer a presença progressista na Casa.

Cadu descarta rompimento político com o MDB

Mesmo diante da hipótese de Walter Alves não assumir o governo, Cadu Xavier não considera que isso configuraria um rompimento político. Ele afirmou que só o próprio Walter poderá dizer se existe ruptura, mas observou que todos os nomes indicados pelo MDB continuam desempenhando papel importante na gestão.

O secretário também avaliou como positivo o processo de transição iniciado ainda no meio do ano. Para ele, abrir o governo para o MDB contribuiu para que o partido passasse a compreender de forma mais profunda a administração estadual e ajudasse de maneira mais efetiva.

Compartilhe esse texto nas suas redes sociais: