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Carne e suco de laranja escapam de nova tarifa dos EUA e aliviam o agro brasileiro

Os principais produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, laranjas e suco de laranja, ficaram de fora da nova tarifa global anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A cobrança, que inicialmente seria de 10%, foi elevada para 15% e começa a valer neste sábado (21), com prazo de cinco meses.

A medida será aplicada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza tarifas de até 15% por um período de até 150 dias para enfrentar desequilíbrios no balanço de pagamentos, sem necessidade de investigação prévia.

Segundo o governo americano, a nova taxa será somada às tarifas já existentes. Trump declarou que a recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegais algumas tarifas impostas nos últimos meses, não anulou totalmente as cobranças, mas apenas um de seus formatos.

Apesar do caráter global da medida, alguns itens estratégicos ou essenciais ficaram isentos da tarifa de 15%. Entre eles estão:

  • Carne bovina
  • Tomates
  • Laranjas
  • Minerais críticos
  • Energia
  • Fertilizantes

Além disso, bens do Canadá e do México que estejam em conformidade com o USMCA também não serão afetados.

Com a nova alíquota, parte do setor avalia que o cenário pode se tornar mais favorável. Eduardo Lobo, representante da Abipesca, afirmou que o segmento de pescados projetava exportar cerca de US$ 600 milhões em 2023, mas fechou o ano com pouco mais de US$ 400 milhões devido às tarifas mais altas.

Agora, a expectativa é de recuperação da competitividade no mercado internacional. Segundo ele, entre 4 mil e 5 mil empregos foram perdidos no período de tarifas elevadas, e a retomada das exportações pode impulsionar novas contratações.

A CitrusBR confirmou que o suco de laranja está fora da nova tarifa. Já a Abic informou que analisa a decisão, enquanto a Abiec optou por não comentar.

Em julho de 2025, produtos brasileiros chegaram a sofrer uma sobretaxa de 40% nos Estados Unidos, além das tarifas recíprocas de 10% anunciadas anteriormente. Parte dessas medidas foi derrubada após decisão judicial e revisões posteriores, especialmente diante da pressão inflacionária sobre alimentos no mercado americano.

Mesmo com a exclusão de itens importantes do agro brasileiro, o setor segue atento aos próximos desdobramentos comerciais entre os dois países.

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