Depois de liderar as altas da inflação em 2025, a energia elétrica deve continuar pressionando o orçamento das famílias em 2026. Projeções de consultorias indicam reajustes médios que podem chegar a 7,64% no país, praticamente o dobro das estimativas atuais para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo cálculo do IPCA.
No ano passado, a energia foi o subitem que mais impactou o índice oficial de inflação, acumulando alta de 12,31%, enquanto o IPCA geral fechou em 4,26%. O cenário para este ano continua desafiador.
A consultoria Thymos Energia projeta aumento médio de 7,64% nas tarifas em 2026. Já a TR Soluções trabalha com uma estimativa mais conservadora, de 5,4%, ainda acima das previsões para a inflação, que giram abaixo de 4%.
Reajustes variam por região
As projeções indicam diferenças significativas entre as regiões do país. Segundo a TR Soluções, os aumentos podem variar de 0,30% a 9,81%. O Sul aparece com a maior estimativa de alta, seguido pelo Sudeste. Nordeste e Centro-Oeste teriam impactos menores.
Reservatórios em nível de alerta
Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico mostram que os reservatórios das hidrelétricas operam com níveis entre 43,92% e 65,85%, a depender do subsistema. O Sul apresenta a situação mais delicada, com menos de 44% da capacidade.
Especialistas apontam que o cenário hidrológico pode se agravar caso ocorra o fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico equatorial, o que tende a reduzir o volume de chuvas em partes do Brasil.
Com menos água nos reservatórios, aumenta a necessidade de acionamento das termelétricas, que têm custo de geração mais elevado por dependerem de combustíveis. Esse encarecimento é repassado ao consumidor por meio do sistema de bandeiras tarifárias.
Na bandeira amarela, há acréscimo de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos. Já na bandeira vermelha patamar 1 e 2, os valores extras sobem para R$ 4,46 e R$ 7,87, respectivamente.
Fim de bônus e impacto da tarifa social
Outro fator que deve pressionar as contas é a ausência de descontos extraordinários como o bônus da Itaipu Binacional, que ajudou a aliviar as tarifas no fim de 2025 e não deve se repetir.
Além disso, a ampliação da tarifa social beneficiará consumidores de baixa renda, mas deve gerar impacto médio de 0,9% para os demais usuários regulados. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o efeito imediato nas contas pode chegar a R$ 4,45 bilhões.
Com inflação ainda no radar e incertezas climáticas, o preço da energia segue como um dos principais pontos de atenção para 2026.