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Correios tentam saída rápida e estudam PDV maior para obter R$ 6 bilhões do Tesouro ainda em dezembro

Para conseguir um aporte emergencial de R$ 6 bilhões do Tesouro ainda em dezembro, os Correios preparam uma nova proposta para a equipe econômica. A estatal pretende reduzir o valor do empréstimo que vinha sendo negociado e reabrir a captação em um patamar menor, agora entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões, segundo apurou a CNN Brasil.

Além da revisão no tamanho do empréstimo, a empresa discute ampliar o programa de demissão voluntária. O plano inicial previa 10 mil desligamentos, mas a direção já trabalha com a possibilidade de chegar a 15 mil funcionários, número que pode aumentar conforme o andamento da reestruturação e a adesão dos empregados. O movimento é visto como essencial para reduzir despesas permanentes e sustentar o novo plano financeiro.

Internamente, a avaliação é que os R$ 6 bilhões seriam suficientes para garantir o fim de ano sem atrasos, incluindo pagamento de salários, 13º e fornecedores. A projeção é que o aporte cubra o déficit de 2025 e reequilibre o caixa no curto prazo, permitindo que a empresa retome negociações com bancos em um cenário mais favorável.

A mudança de estratégia ocorre após o fracasso da tentativa anterior, que previa um empréstimo de R$ 20 bilhões. Na equipe econômica, a proposta foi considerada de alto risco e impossível de ser aprovada. Já dentro dos Correios, a leitura é que o período eleitoral reduziu o apetite do mercado e que será necessário ampliar o número de bancos dispostos a participar da operação. Para isso, o plano é diminuir o tamanho do cheque e tentar taxas menores.

Na sexta-feira 5, a direção enviou comunicado aos funcionários informando que trabalha com o Tesouro em alternativas após a recusa ao primeiro pedido de crédito. O texto reforçou que a prioridade é readequar o modelo financeiro, garantir liquidez imediata e manter a operação funcionando, com meta de entregar 95% das encomendas no prazo até janeiro de 2026.

A estatal afirma que a reestruturação prevista para 2025 a 2027 será guiada por prioridades de caixa e preservação de empregos, mas admite que o novo plano precisa avançar junto ao redesenho do financiamento. A expectativa é que o aporte emergencial, aliado ao PDV ampliado, ajude a preparar terreno para uma operação de crédito menor e mais barata em 2026, com maior chance de aval do Tesouro.

No governo, a posição é clara: qualquer liberação de recursos só será feita mediante aprovação prévia de um plano de recuperação. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou que não haverá apoio financeiro sem contrapartidas e alinhamento às regras fiscais. A decisão final ficará a cargo do Tesouro após análise do projeto.

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