Em meio à crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) denunciam que o órgão está sem estrutura para agir. Segundo relatos obtidos pelo Metrópoles, funcionários afirmam que a falta de verba e o sucateamento inviabilizam qualquer resposta às tentativas de interferência do governo Donald Trump na soberania brasileira.
“Estamos vivendo uma crise de soberania, com interferência externa, e a Abin sem condições de mover um dedo por falta de orçamento”, desabafou um servidor, sob anonimato.
Desde julho, os EUA endureceram a relação com o Brasil. O presidente Donald Trump impôs tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e autorizou sanções contra autoridades nacionais — inclusive a suspensão de vistos de ministros do STF. A retaliação foi uma resposta direta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de tentar um golpe de Estado em 2022.
A ofensiva teve apoio de articulações feitas por Eduardo Bolsonaro, que se licenciou da Câmara e permanece nos EUA pressionando contra o Supremo. O principal alvo é o ministro Alexandre de Moraes, que já perdeu o visto americano e foi incluído na lista de sanções da Lei Magnitsky, ao lado de outros sete magistrados.
Enquanto a crise avança, a inteligência brasileira dá sinais de esgotamento. Segundo a Intelis, associação de servidores da Abin, o orçamento atual é o menor dos últimos 14 anos.
A situação se agravou após a agência deixar a estrutura militar, em 2023, e passar para a Casa Civil, sob comando do ministro Rui Costa. O atual diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, delegado da Polícia Federal, também é alvo de críticas internas.
Além disso, agentes acusam a Polícia Federal de tentar assumir funções antes exclusivas da Abin, gerando conflito institucional.
“Essa soma de fatores inviabiliza qualquer atuação séria diante da crise”, avaliou outro servidor.
O Brasil segue sob pressão com tarifas econômicas e sanções contra membros do Judiciário. A escalada começou como reação ao julgamento de Jair Bolsonaro e expôs uma vulnerabilidade maior: a dificuldade da Abin em operar no momento em que o país enfrenta ataques diretos à sua soberania.
Fonte: Metrópoles