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CTQ do Walfredo Gurgel funciona em corredor e médicos falam em “situação de guerra”

Foto: Anderson Régis

O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Walfredo Gurgel enfrenta um dos momentos mais críticos da sua história. De acordo com o coordenador Marco Almeida, o atendimento está sendo feito em um corredor improvisado, sem a estrutura adequada. “É uma situação de guerra, extremamente delicada e nunca antes vista. Os pacientes ficam em leitos que não são apropriados. Falta espaço para ambulatório e até para reabilitação”, desabafou.

O problema começou após as obras de reforma do CTQ, iniciadas em agosto de 2024 e interrompidas pouco tempo depois. O secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, explicou que a empresa responsável descumpriu o contrato, o que levou ao distrato. Segundo ele, uma nova contratação será feita por dispensa de licitação e deve ser concluída em até 45 dias.

Nesta quinta-feira (21), representantes do Sindicato dos Médicos (Sinmed) e do Conselho Regional de Medicina (Cremern) visitaram o setor e confirmaram o cenário dramático: além da falta de espaço, também faltam profissionais para atender à alta demanda.

Falta de pessoal e risco para pacientes

Alexandre Motta afirmou que a Sesap está finalizando um concurso para contratação de 2 mil profissionais de nível médio, parte deles para reforçar a equipe do Walfredo. Ainda assim, sindicatos e conselhos apontam um déficit grave.
“Estruturalmente, o setor está no fundo do poço. É preciso agir com urgência para recompor o quadro e devolver um atendimento digno às pessoas queimadas”, destacou Marcos Jácome, presidente do Cremern.

Já o presidente do Sinmed, Geraldo Ferreira, alertou que a falta de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais aumenta o risco de mortalidade. Só na parte médica, segundo ele, seriam necessários pelo menos seis novos profissionais.

Superlotação e falta de insumos

Ferreira também revelou denúncias sobre dificuldades de insumos, superlotação no centro cirúrgico e até suspensão de cirurgias eletivas por falta de pagamento a fornecedores. Ele anunciou que fará nova vistoria no hospital na próxima semana.

O secretário Alexandre Motta negou a suspensão das cirurgias e disse que a lotação varia conforme o fluxo de pacientes. Hoje, o hospital conta com 300 leitos, mas chega a atender, em média, 400 pessoas. Segundo ele, medidas como a Barreira Ortopédica e a transferência de pacientes para outras unidades têm ajudado a reduzir a pressão.
Sobre os insumos, admitiu a falta de alguns antibióticos por dificuldades financeiras com fornecedores.

Fonte: Tribuna do Norte

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