Um diretor do Banco Central, que preferiu permanecer anônimo, afirmou ao jornal O Globo que a aplicação mais rigorosa da Lei Magnitsky poderia criar dilemas graves para os bancos brasileiros que atuam no mercado internacional. Embora a legislação seja válida apenas nos Estados Unidos, sua influência deve-se ao caráter globalizado dos sistemas financeiros.
O diretor explicou que os bancos seriam forçados a escolher entre manter clientes de alto perfil—como ministros do Supremo—ou preservar operações fundamentais, como transações cambiais, cotação do dólar e acesso ao sistema financeiro internacional. Sem essas operações, a própria existência das instituições estaria ameaçada.
Ele destacou que a Lei Magnitsky possui três níveis de severidade e que, no momento, as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes estão no grau mais brando. Mesmo assim, os efeitos já trazem instabilidade à rede bancária.
Preocupados com o alcance das sanções, os ministros do STF — Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin — buscaram esclarecimentos com representantes de bancos como BTG, Santander e com o ex-presidente da Câmara e dirigente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras, Rodrigo Maia. O chefe da AGU, Jorge Messias, também participou das reuniões.