Um homem apontado como líder de uma associação criminosa especializada em sonegação fiscal e lavagem de dinheiro foi preso preventivamente nesta sexta-feira (23), no Rio Grande do Norte. A detenção faz parte dos desdobramentos da Operação Fechamento, conduzida pelo Ministério Público do Estado (MPRN) em parceria com a Polícia Civil.
O grupo é investigado por fraudes envolvendo uma rede de lojas de couro, calçados e bolsas com atuação em Natal e Parnamirim. Segundo as apurações, o esquema teria provocado um rombo superior a R$ 1,5 milhão em ICMS que deixou de ser recolhido aos cofres públicos.
A prisão foi cumprida pela Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Contra a Ordem Tributária (Deicot). De acordo com o MPRN, a medida foi autorizada diante de indícios de reiteração criminosa e risco de fuga. Ao todo, oito pessoas foram denunciadas na operação.
As investigações apontam que, entre janeiro de 2008 e maio de 2025, o grupo adotou uma estratégia de sucessão empresarial fraudulenta. Empresas endividadas eram abandonadas e novas firmas abertas em nome de “laranjas”, permitindo a continuidade das vendas enquanto os débitos fiscais ficavam para trás. A prática dificultava a responsabilização dos verdadeiros gestores e a cobrança dos impostos.
Mesmo após ter conseguido liberdade provisória em uma fase anterior do processo, o investigado teria voltado a delinquir. Segundo o Ministério Público, ele é suspeito de cometer estelionato ao oferecer bens já penhorados como garantia judicial. Interceptações telefônicas também indicariam a realização de parcelamentos tributários sem intenção de pagamento.
A apuração revelou ainda indícios de planejamento de fuga. Perícia no celular do suspeito encontrou mensagens sobre a venda de bens para financiar uma mudança definitiva para a Europa, além de imagens de documentos estrangeiros emitidos em seu nome.
Durante a deflagração da operação, em maio de 2025, fiscais da Secretaria Estadual de Fazenda identificaram outras irregularidades, como o uso de máquinas de cartão não integradas ao sistema fiscal, chaves Pix em nome de terceiros para ocultar receitas e mercadorias sem nota fiscal. Só um dos estoques apreendidos foi avaliado em mais de R$ 146 mil.
A denúncia descreve a atuação de um núcleo de liderança com participação de familiares, funcionários e profissionais de contabilidade, que teriam auxiliado na execução das fraudes e em manobras para escapar de bloqueios judiciais. Os investigados respondem por associação criminosa, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Um deles também foi denunciado por posse de munição de uso restrito.
A Operação Fechamento integra o trabalho do Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf), que reúne órgãos de segurança e fiscalização para identificar fraudes e recuperar recursos desviados do Estado.