O Rio Grande do Norte vive um dos momentos mais difíceis dos últimos anos. Faltam remédios nos hospitais, escolas estão com desempenho entre os piores do país, a segurança pública é frágil e o medo domina muitas cidades. Mesmo assim, a governadora Fátima Bezerra (PT) apareceu em vídeo, sorridente, dançando em uma festa tradicional no Seridó — cena que caiu como uma provocação para muitos potiguares que enfrentam a dura realidade do dia a dia.
“Tem dia que falta até esparadrapo”
Nos hospitais públicos, a situação beira o colapso. O Hospital Walfredo Gurgel, referência no estado, está superlotado, com falta de insumos e equipes sobrecarregadas. Empresas terceirizadas suspenderam serviços por falta de pagamento, e há denúncias de salários atrasados até para profissionais de UTI.
“Tem dia que falta até esparadrapo. E a gente segue cuidando de gente como pode, com o que tem”, contou uma técnica de enfermagem que preferiu não se identificar.
Desde março, auditores da saúde estão em greve pedindo o que lhes é de direito: reajustes e recomposição salarial. Mas nada mudou.
O que dizer da educação? O RN aparece com uma das piores notas do Brasil no IDEB do ensino médio, e o estado é o último colocado em políticas públicas de alfabetização, segundo o próprio Ministério da Educação. Apenas 8% dos municípios potiguares têm programas próprios para ensinar crianças a ler e escrever.
Pais e professores se dizem desamparados. “Falta estrutura, falta apoio e falta vontade de mudar. Enquanto isso, nossos alunos estão ficando para trás”, desabafou uma professora da rede estadual.
A segurança pública também vive um cenário preocupante. Facções criminosas tomaram o controle de áreas inteiras, e os atentados registrados nos últimos anos deixaram marcas profundas. Em muitos bairros, moradores evitam sair de casa à noite. A confiança nas forças de segurança diminui à medida que o crime se fortalece.
Especialistas apontam que a gestão da segurança falha por falta de estrutura e comando claro, deixando a população vulnerável.
Em meio a tudo isso, a imagem da governadora dançando alegremente em uma festa no interior foi recebida com indignação. Para muitos, foi como um tapa na cara.
“Ela dança, e a gente aqui sem atendimento médico, sem professor, com medo até de ir pra padaria”, escreveu uma servidora em grupo do whatsapp.
A percepção de que o governo está vivendo em uma realidade paralela cresce a cada dia. População, servidores e profissionais da linha de frente se sentem abandonados. A festa da governadora virou símbolo de uma gestão que, para muitos, perdeu a conexão com os problemas reais do povo.
Fátima Bezerra, que chegou ao poder com discurso popular, hoje enfrenta críticas até mesmo de aliados. E o que se vê nas ruas, nos corredores dos hospitais e escolas é um povo cansado, pedindo socorro, enquanto a principal liderança do estado parece não ouvir.