Natal ainda engatinha quando o assunto é mobilidade sustentável. Apesar do interesse crescente por alternativas como bicicletas e patinetes elétricos, a capital potiguar enfrenta um gargalo estrutural: a carência de ciclovias e ciclofaixas exclusivas que garantam segurança ao usuário.
Levantamento da STTU aponta que a cidade dispõe de aproximadamente 91 km de estruturas cicloviárias, incluindo ciclovias, ciclofaixas, faixas compartilhadas e ciclorrotas. Já a Tribuna do Norte destaca que, somando diferentes modalidades, esse número pode chegar a 113 km. No entanto, quando o recorte é apenas de ciclovias e ciclofaixas exclusivas e segregadas, o dado despenca para 37,5 km, segundo a Aliança Bike.
Em comparação, cidades como Recife e Fortaleza apresentam cerca de 130 km e 400 km de malha cicloviária, respectivamente, o que evidencia a defasagem de Natal.
Para especialistas, essa diferença é determinante para que os patinetes elétricos — tendência nas grandes capitais brasileiras — ainda não tenham se consolidado como alternativa real de transporte em Natal. “Sem uma malha segura e contínua, o uso de modais leves fica restrito a áreas específicas e não se torna viável para deslocamentos cotidianos”, avalia o urbanista Rafael Nunes.
Usuários também apontam riscos. Quem tenta circular de patinete ou bicicleta fora das ciclovias enfrenta disputas com carros e ônibus em vias movimentadas, além de obstáculos como buracos e desníveis. A falta de iluminação em trechos noturnos agrava a insegurança.
Enquanto isso, a prefeitura aposta no Plano Cicloviário de Natal, que prevê ampliações graduais da malha. Mas a execução avança lentamente diante da pressão por investimentos em outros setores da mobilidade urbana.
Com o avanço da pauta da sustentabilidade e da transição energética, cresce a cobrança de que a capital potiguar adote políticas mais ousadas para estimular a mobilidade ativa. Para muitos, só com a expansão das ciclovias e ciclofaixas será possível ver Natal inserida no movimento global de cidades mais humanas e menos dependentes de combustíveis fósseis.