João Nazareno Roque, de 48 anos, funcionário da empresa atacada por hackers, foi preso pela Polícia Civil nesta quinta-feira (3) sob suspeita de participação no golpe que desviou R$ 540 milhões em transações via Pix. Segundo as investigações, ele teria recebido R$ 15 mil para facilitar a ação criminosa contra a própria companhia, a C&M Software, responsável por conectar bancos e fintechs ao sistema do Banco Central.
Em coletiva nesta sexta-feira (4), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) detalhou que Roque vendeu logins e senhas de acesso da empresa e colaborou com os criminosos. Ainda de acordo com a polícia, ele confessou envolvimento no esquema.
No LinkedIn, Roque se apresenta como desenvolvedor Back-End Júnior, cargo que inclui criar, manter e otimizar sistemas digitais, como os que processam pagamentos eletrônicos.
Segundo relato do próprio investigado, ele foi abordado por criminosos em um bar perto de sua casa e aceitou entregar credenciais em troca de R$ 5 mil. Depois, recebeu outros R$ 10 mil para explicar como funcionavam as transações via Pix.
A BMP foi a única instituição financeira comprovadamente vítima, com prejuízo inicial de R$ 500 milhões. Deste valor, R$ 270 milhões já foram bloqueados em contas bancárias e outros R$ 15 milhões em criptoativos. A Polícia Civil estima que o total da fraude pode se aproximar de R$ 800 milhões, valor que torna o caso o maior ataque já registrado contra a modalidade.
De acordo com a investigação, todas as transações foram realizadas via Pix. O Banco Central não teve prejuízos e também não há impacto para correntistas.
Como ocorreu o crime
O golpe aconteceu na madrugada de 30 de junho, entre 4h30 e 7h. Os criminosos emitiram ordens falsas de Pix em nome da BMP, transferindo valores em massa para contas de terceiros. A C&M Software identificou a fraude em tempo real, acionou sua equipe de emergência e comunicou as autoridades.
Roque foi preso em casa, no bairro City Jaraguá, Zona Norte de São Paulo. A polícia apreendeu celulares e computadores, que agora passam por perícia. Carteiras de criptomoedas não foram localizadas até o momento.
O suspeito vai responder por associação criminosa e furto. De acordo com o delegado Renan Topan, as investigações continuam para rastrear os envolvidos e recuperar os valores desviados.
Fonte: Portal Terra