O Governo do Rio Grande do Norte voltou a se opor à proposta da Prefeitura de Natal para criação do Parque Linear da Avenida Engenheiro Roberto Freire, na Zona Sul da capital. O projeto, que prometia transformar uma área hoje abandonada em um grande espaço verde de lazer, caminhadas e convivência, foi considerado “incompatível” pelo Idema, sob a justificativa de que parte do terreno está inserida em zona de preservação ambiental do Parque das Dunas.
Segundo o parecer técnico, cerca de 60% da área estaria em uma Zona Primitiva (ZP3), onde são proibidas construções ou intervenções permanentes. No entanto, críticos afirmam que o argumento ambiental tem sido usado como barreira política para impedir uma iniciativa que traria benefícios diretos à população.
A proposta da prefeitura previa pistas de caminhada, ciclovias, espaços para prática de exercícios e áreas de descanso, integrando o verde das dunas à vida urbana — um projeto que poderia melhorar a qualidade de vida e a saúde de milhares de moradores. Ainda assim, o governo estadual se manteve inflexível, mesmo diante de alternativas que conciliariam preservação e uso sustentável.
A impressão é de que o interesse político tem falado mais alto que o interesse público. Ao travar um projeto que levaria mais pessoas a praticarem atividades ao ar livre, o governo dá sinais de resistência não pela proteção ambiental em si, mas para evitar que a prefeitura concretize uma obra de grande impacto positivo.
Enquanto o impasse continua, a população perde. A área segue sem uso, o sonho de um parque urbano acessível fica adiado e Natal continua com poucos espaços públicos de convivência. Resta à sociedade cobrar que o meio ambiente seja protegido, sim — mas sem que isso sirva de pretexto para emperrar o progresso e o bem-estar coletivo.