Os servidores administrativos da saúde do Rio Grande do Norte iniciaram nesta segunda-feira (20) uma greve por tempo indeterminado, após assembleia que aprovou o movimento por unanimidade. A paralisação mostra o crescente descontentamento com o governo de Fátima Bezerra (PT), que enfrenta novas crises no funcionalismo estadual.
A categoria cobra redução de jornada, pagamento de horas extras, implantação de vale-alimentação e reajuste de gratificações congeladas há mais de duas décadas. Segundo o Sindsaúde/RN, o governo tem ignorado as pautas apresentadas desde o início das negociações.
Antes de ser governadora, Fátima Bezerra se notabilizou por defender os direitos dos servidores e criticar governos anteriores por greves e atrasos salariais. “Não falta dinheiro, falta competência e vontade política”, dizia à época. Hoje, no comando do Estado, enfrenta cenário oposto: greves recorrentes, insatisfação generalizada e acusações de falta de diálogo.
Servidores relatam sobrecarga, desvalorização e perdas salariais acumuladas, o que, segundo eles, compromete o funcionamento das unidades de saúde. Apenas os serviços essenciais estão mantidos, conforme a legislação federal.
A paralisação na saúde se soma a outros movimentos recentes no setor público, envolvendo professores, policiais e servidores da cultura. Analistas apontam que o governo petista perdeu a sintonia com a base trabalhadora que historicamente o apoiou.
A Secretaria de Saúde ainda não apresentou proposta concreta às reivindicações. Em nota, o governo informou apenas que mantém “abertos os canais de negociação”. Enquanto isso, o impasse deve afetar a rotina de hospitais e serviços administrativos em todo o Estado.
A greve evidencia o contraste entre o discurso de valorização do trabalhador, marca da trajetória política de Fátima Bezerra, e a realidade de sua gestão. A governadora que antes cobrava respeito e diálogo dos gestores agora é pressionada a praticar aquilo que pregava: reconhecimento e dignidade para quem mantém o serviço público em funcionamento.