O secretário estadual de Agricultura do Rio Grande do Norte, Guilherme Moraes Saldanha, afirmou que não recebeu convite formal para disputar uma eventual eleição indireta ao Governo do Estado, mas deixou claro que também não fecha as portas para a possibilidade.
Em entrevista à Jovem Pan News Natal, ele declarou que, caso haja entendimento político e um cenário favorável, analisará a proposta com atenção. Segundo Saldanha, qualquer decisão dependerá das condições apresentadas e das responsabilidades envolvidas.
Filiado ao PSDB e integrante da gestão da governadora Fátima Bezerra, o secretário é visto nos bastidores como um nome de perfil conciliador. Ele chegou ao primeiro escalão por indicação do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, e tem trânsito entre diferentes correntes políticas.
A avaliação entre parlamentares é de que, em um cenário de eleição indireta, a oposição não teria hoje um nome com maioria consolidada. Isso amplia o peso de uma candidatura capaz de construir consenso dentro da Assembleia.
Saldanha afirmou ter ficado honrado com a lembrança de seu nome e destacou sua ligação com o Estado. Disse que nasceu no Rio Grande do Norte e que toda sua trajetória está construída ali.
O RN poderá passar por eleição indireta caso se confirmem as renúncias de Fátima Bezerra e do vice-governador Walter Alves até o início de abril. Ambos já anunciaram que pretendem deixar os cargos para disputar as eleições de outubro.
Se isso ocorrer, caberá à Assembleia Legislativa eleger, entre os próprios deputados, uma chapa com governador e vice para comandar o Estado até janeiro de 2027.
Nos bastidores, o nome do secretário da Fazenda, Cadu Xavier, chegou a ser citado como preferência do PT, mas enfrenta resistência entre parlamentares. A própria governadora admitiu que avalia outras opções.
Questionado sobre a situação financeira do Estado, Saldanha minimizou preocupações. Ele afirmou que o cenário atual é mais organizado do que o encontrado em 2019, quando a governadora assumiu com salários atrasados. Segundo ele, a arrecadação tem apresentado bons números e as contas são administráveis.
Caso venha a assumir o comando do Executivo, o secretário sinaliza que a agricultura teria papel estratégico. Ele aposta no impacto da transposição do Rio São Francisco para impulsionar a produção e ampliar exportações de frutas, destacando o potencial econômico do setor.
A Assembleia Legislativa prepara um projeto de lei para regulamentar as regras da eventual eleição indireta. O texto deverá passar apenas pela Comissão de Constituição e Justiça antes de seguir ao plenário.
De acordo com informações antecipadas pela Procuradoria da Casa, a votação será aberta e as candidaturas deverão ser registradas em chapas completas, com governador e vice. Para vencer em primeiro turno, será necessária maioria absoluta dos deputados. Caso não haja definição, haverá segundo turno, decidido por maioria simples dos presentes.
Ainda não há prazo para a apresentação oficial do projeto, mas a expectativa é de que a tramitação ocorra de forma rápida, diante do calendário político.