A crise na saúde pública do Rio Grande do Norte chegou a um ponto insustentável. Falta de insumos básicos, corredores lotados e pacientes sendo mandados para casa sem atendimento adequado. Esse é o cenário descrito por parlamentares e confirmado pela Justiça, que identificou um déficit de R$ 141 milhões nos repasses estaduais ao Fundo de Saúde.
Diante do caos, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, foi convocado para prestar esclarecimentos em audiência pública no próximo dia 10 de setembro, na Assembleia Legislativa.
“Pacientes estão sendo mandados para casa morrer”
A deputada Cristiane Dantas (SDD), presidente da Comissão de Saúde, foi direta: “Os números são claros. O colapso é resultado da falta de investimento. Quando os corredores não estão cheios, é porque estão mandando os pacientes para casa morrer”.
Dados da Justiça reforçam a gravidade: as despesas com saúde no RN despencaram 68% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024 – uma queda de R$ 673 milhões.
Deputados soam o alarme
O deputado Gustavo Carvalho (PL) classificou a situação como “alarmante”:
“Estamos falando de insumos básicos: gases, esparadrapo, luvas, álcool em gel. A dignidade e a vida da população potiguar estão em risco. Isso não é política, é humanidade”.
Seu colega de partido, Tomba Farias, foi além e pediu uma espécie de “mutirão da solidariedade”, semelhante ao que ocorreu na pandemia, envolvendo empresas, clubes de serviço e sociedade civil para doar medicamentos e materiais.
Já José Dias (PL) ironizou: “Para a Justiça é colapso progressivo, para o povo é regressivo, porque a saúde já está em colapso há muito tempo”.
Governo joga a culpa no SUS
Do lado do governo, o deputado Dr. Bernardo (PSDB), vice-líder da base, admitiu o caos, mas jogou luz sobre um problema estrutural: o subfinanciamento crônico do SUS.
“Não dá para pagar R$ 2,75 por um exame de colposcopia ou R$ 155 por um parto cesariano com quatro médicos. É inviável. Desde 2009 a tabela do SUS não é corrigida”, afirmou.
Ele destacou que o governo federal reconheceu que o RN gastou R$ 240 milhões a mais do que deveria em saúde em 2024, e que já começou a repassar parte desse valor, o que deve aliviar a crise. Mas admitiu: “Ainda temos um déficit acumulado que está sufocando o sistema”.
Um retrato cruel
Enquanto governo e oposição trocam acusações, a realidade bate à porta de quem depende da rede pública: pacientes comprando do próprio bolso materiais que deveriam ser fornecidos pelo Estado. O que era para ser exceção virou rotina.
E, como resumiu um deputado em plenário, a saúde do RN não pode esperar por relatórios, portarias ou discursos. Porque quem está morrendo, morre hoje, não amanhã.