A professora aposentada Iraci Nagoshi, de 72 anos, condenada a 14 anos de prisão pelos atos do 8 de janeiro, enfrenta condições críticas na Penitenciária de Santana (SP). Segundo denúncia da defesa divulgada nesta sexta-feira (1º), a idosa divide uma cela pequena com outras cinco detentas, dorme no chão em alguns momentos e não tem acesso a cuidados médicos adequados.
Iraci havia conquistado o direito de cumprir pena em casa, mas teve o benefício revogado por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a justificativa de violações no uso da tornozeleira eletrônica. A defesa afirma que os problemas foram causados por falhas técnicas do equipamento, e não por má-fé da idosa.
Problemas de saúde ignorados
Segundo o advogado Jaysson França, Iraci sofre com dores constantes e mobilidade reduzida após passar por uma cirurgia no fêmur e sofrer recentemente um deslocamento no cotovelo. Mesmo com um retorno médico agendado para o dia 24 de julho, a penitenciária não providenciou o atendimento, denunciou a defesa em petição ao STF.
“A omissão diante da urgência médica é inaceitável e põe em risco a vida da Iraci”, afirmou o advogado, destacando ainda as condições precárias de higiene na cela.
Iraci também enfrenta depressão, distúrbios renais e diabetes — comorbidades que, segundo a defesa, agravam a situação da idosa no regime fechado.
Outro caso semelhante: Vildete Guardia
Além de Iraci, outra idosa, Vildete Guardia, de 74 anos, também teve a prisão domiciliar revogada por Moraes, pelo mesmo motivo: suposto descumprimento de medida cautelar. Vildete sofre de trombose e recentemente apresentou problemas neurológicos. Antes de ser autorizada a cumprir pena em casa, chegou a depender de cadeira de rodas no presídio.
A defesa afirma que ambas têm histórico clínico frágil e cobra providências imediatas das autoridades.
Fonte: Revista Oeste