Produção recua 19,1% em um ano; emprego industrial cai 13,8% e confiança do empresário segue em baixa
A produção industrial do Rio Grande do Norte registrou em julho de 2025 a maior retração entre os 18 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi de 19,1%, confirmando o cenário desafiador da economia potiguar.
No acumulado do ano, de janeiro a julho, o recuo chega a 18,5%, e em 12 meses, 14,7%, índices que superam os registrados em todo o país, onde a produção apresentou estabilidade (-0,2%) no período.
O desempenho negativo foi puxado principalmente pelo setor de petróleo e gás, responsável por mais de 40% do PIB industrial potiguar. As atividades de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis – como o óleo diesel – tiveram forte queda, comprometendo os resultados da indústria.
Segundo Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do RN (FIERN), a confiança do empresário industrial tem mostrado retração constante.
“O ICEI caiu de 60,6 pontos em janeiro de 2024 para 51,6 em 2025, abaixo da média histórica de 54 pontos”, destaca.
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmam a tendência: no primeiro trimestre, a produção em terra caiu 1,04% (-28.155 barris) e no mar, 36,59% (-111.186 barris).
A crise também afetou o mercado de trabalho: o setor industrial formal encolheu 13,8% em um ano, com destaque negativo para a indústria de transformação, que demitiu mais de 1.059 trabalhadores, acumulando saldo negativo de 676 vagas.
Apesar disso, os repasses de royalties tiveram alta de 26,2%, somando R$ 173,8 milhões, indicando que ainda há investimentos em andamento.
De acordo com Hugo Fonseca, secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico (SEDEC-RN), a baixa produção também reduziu a capacidade de exportação:
“Em agosto, o óleo combustível não foi exportado. Isso gerou impacto de US$ 6,5 milhões na balança comercial. A produção foi absorvida pelo mercado interno”, explica.
Apesar do recuo histórico, a FIERN registrou melhora na utilização da capacidade instalada e nas intenções de investimento. A sondagem aponta crescimento em julho frente a junho, ainda que em queda na comparação anual.
Segundo Hugo Fonseca (SEDEC), setembro será um mês-chave:
“O segundo semestre costuma trazer aumento de produção. O resultado de setembro vai mostrar se o setor de petróleo e gás vai se normalizar ou se há uma adequação estrutural em curso no parque industrial do estado.”
Números da Produção Industrial do RN
- Julho 2025 x Julho 2024: -19,1%
- Acumulado janeiro-julho: -18,5%
- Últimos 12 meses: -14,7%
Fonte: Tribuna do Norte