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Inquérito revela o caminho de bebidas com suspeita de contaminação por álcool de posto

Um inquérito conduzido pela Polícia Civil de São Paulo e pela Polícia Federal revelou o caminho de bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica usada em combustíveis. A investigação aponta que o produto contaminado pode ter origem em postos e distribuidoras de etanol adulterado, desviados para fábricas clandestinas de bebidas.

As análises laboratoriais mostraram que as garrafas apreendidas em São Bernardo do Campo e em outras cidades do Sudeste continham altas concentrações de metanol, chegando a 45% do conteúdo. O consumo dessas bebidas já causou pelo menos cinco mortes e 29 casos de intoxicação em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Segundo a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), parte do álcool usado na adulteração pode ter origem em esquemas criminosos que desviam metanol importado ilegalmente e também em postos de combustível investigados por fraudes fiscais. A substância seria revendida para quadrilhas especializadas em falsificar bebidas destiladas, como cachaça e vodca.

“Há indícios de que o metanol, que deveria ser usado exclusivamente na indústria, foi desviado de postos e distribuidores para o mercado clandestino”, afirmou um investigador ouvido sob reserva.

O Ministério da Justiça determinou que a Polícia Federal assuma parte das apurações, já que o esquema teria ramificações interestaduais. A Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) também notificou fabricantes e distribuidores a apresentarem notas fiscais e comprovantes de procedência.

As bebidas adulteradas eram vendidas em garrafas com rótulos falsificados de marcas conhecidas, distribuídas em comércios de pequeno porte e festas populares. A polícia investiga ainda ligação com o crime organizado, que estaria atuando tanto no desvio de combustível quanto na produção das bebidas.

O consumo de metanol pode causar cegueira, falência de órgãos e morte mesmo em pequenas doses. As autoridades reforçam o alerta para que consumidores verifiquem rótulos, lacres e procedência das bebidas antes da compra.

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