A suspeita de adulteração de bebidas alcoólicas com metanol, substância altamente tóxica e sem odor, já deixou ao menos três mortos em São Paulo e fez acender um alerta em todo o país. Casos confirmados e outros em investigação estão sendo acompanhados pelo Centro de Vigilância Sanitária do estado, enquanto órgãos federais e estaduais reforçam a fiscalização.
Segundo a Secretaria de Saúde paulista, seis casos foram confirmados e cerca de dez seguem sob análise. As mortes ocorreram em São Bernardo do Campo e na capital. Equipes de fiscalização já apreenderam mais de 100 garrafas de bebidas sem procedência em bares e distribuidoras. Amostras estão em perícia para verificar a presença de metanol.
O governo federal emitiu protocolo de ação e orientou estabelecimentos e consumidores. Em caso de suspeita, a recomendação é isolar o produto, acionar a Vigilância Sanitária, Polícia Civil (197) e Procon, além de recorrer ao Disque-Intoxicação da Anvisa (0800 722 6001).
A ingestão de metanol pode causar sintomas entre 12 e 24 horas após o consumo: dor de cabeça intensa, náuseas, dor abdominal, visão turva ou cegueira súbita, confusão mental e, em casos graves, convulsões, coma e morte. A exposição mesmo em pequenas doses pode deixar sequelas permanentes.
O tratamento exige atendimento hospitalar imediato, com uso de antídotos específicos e suporte intensivo.
Orientações oficiais
- Consumidores devem desconfiar de preços muito abaixo do mercado, rótulos com erros ou lacres violados.
- Bares e distribuidores devem suspender a venda de lotes de procedência duvidosa e comunicar imediatamente às autoridades.
- Não é seguro tentar testes caseiros (como cheirar, acender ou provar a bebida) para identificar adulteração.
A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) aponta a possibilidade de envolvimento do crime organizado, com uso da mesma rota de adulteração de combustíveis para inserir metanol em bebidas — hipótese investigada pela polícia, ainda sem confirmação pericial.