Morreu nesta segunda-feira (5) a jovem Gabriely Barbosa de Melo, de 19 anos, que estava internada após sofrer uma parada cardiorrespiratória possivelmente provocada pela troca de medicação em uma Unidade de Pronto Atendimento de Natal. A morte foi confirmada pela família e pela Secretaria Municipal de Saúde.
Gabriely deu entrada na UPA Potengi no dia 16 de dezembro com sintomas gripais. Após ser medicada na unidade, sofreu uma parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimada e entubada. Desde o dia 17, permanecia internada na UTI de um hospital particular.
A suspeita, segundo o Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Norte, é de que a jovem tenha recebido um medicamento diferente do prescrito pela médica responsável pelo atendimento. Apuração da Inter TV indica que teria ocorrido a troca de um corticoide por um relaxante muscular de uso restrito, normalmente empregado em procedimentos de entubação.
A Secretaria Municipal de Saúde abriu sindicância para apurar o caso e afastou servidores diretamente envolvidos no manejo dos medicamentos. Até esta segunda-feira, a pasta ainda não havia confirmado oficialmente a troca das substâncias.
Em nota, a Secretaria lamentou a morte da jovem e afirmou que presta apoio integral à família. Informou ainda que os servidores seguem afastados e que a sindicância continua em andamento, sem prazo definido para conclusão. Após essa etapa, será instaurado Processo Administrativo Disciplinar, com acompanhamento dos órgãos competentes. Os Conselhos de Enfermagem e de Farmácia também realizam apuração paralela.
No dia seguinte ao ocorrido, o presidente do Coren-RN, Manoel Egídio, afirmou que as primeiras informações apontavam para uma possível troca de medicação. Segundo ele, apesar de as dosagens serem semelhantes, as substâncias eram diferentes, o que pode ter causado a reação grave. O conselho solicitou prontuários e registros para esclarecer todo o percurso do medicamento, desde a prescrição até a administração.
De acordo com a apuração, a médica teria prescrito um expectorante e um corticoide para tratar a inflamação e aliviar os sintomas respiratórios. No entanto, na sala de medicação, a paciente teria recebido na veia três ampolas de um relaxante muscular de ação rápida, utilizado para anestesia e entubação.
O corticoide prescrito é o succinato sódico de hidrocortisona. Já o relaxante muscular é a succinilcolina, substância com indicação e efeitos completamente distintos, apesar da semelhança no nome.
Segundo familiares, a jovem começou a passar mal ainda durante a aplicação intravenosa do medicamento.
Gabriely era indígena da etnia Potiguara. Segundo a avó, Maria Soares de Melo, a jovem foi à UPA acompanhada da mãe após apresentar sintomas gripais. A médica teria informado que seria aplicada uma medicação antialérgica.
Durante a aplicação, antes mesmo de o medicamento ser totalmente administrado, a jovem começou a apresentar sinais graves. A mãe percebeu que ela estava ficando sem forças e com coloração arroxeada. Pouco depois, os médicos constataram a parada cardiorrespiratória.
A paciente foi reanimada e entubada ainda na UPA antes de ser transferida para um hospital particular. A família solicitou os prontuários médicos e apresentou os documentos à equipe do hospital, onde constavam os medicamentos hidrocortisona injetável e succinato sódico.
Segundo a avó, o médico que analisou o prontuário afirmou que o medicamento registrado não seria capaz de provocar uma parada cardiorrespiratória, reforçando a suspeita de erro na administração.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte informou que adotará as providências necessárias para apurar o caso.
Fonte: G1RN