A jovem de 19 anos que sofreu uma parada cardiorrespiratória após receber medicação em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Natal, na última terça-feira (16), continua internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular da capital neste sábado (20). A informação foi confirmada pela família.
Segundo a avó da paciente, Maria Soares, o quadro clínico é considerado grave. “O médico sentou com a gente, falou que o quadro dela não era bom, era bem complicado, mesmo com a idade dela. Vão fazer uma série de exames até segunda-feira para poder dar uma resposta e nos tranquilizar mais”, relatou.
De acordo com o Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Norte (Coren-RN), há suspeita de que Gabriely Barbosa de Melo tenha recebido uma medicação diferente da prescrita pela médica que realizou o atendimento. Diante do caso, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal instaurou uma investigação e afastou servidores diretamente envolvidos no manuseio de medicamentos na UPA Potengi, localizada na Zona Norte da cidade.
A apuração indica que a médica havia prescrito um expectorante e um corticoide, com o objetivo de aliviar os sintomas gripais apresentados pela paciente. No entanto, na sala de medicação, a jovem teria recebido três ampolas intravenosas de um relaxante muscular de ação rápida, utilizado principalmente para anestesia, intubação e procedimentos cirúrgicos.
As duas substâncias possuem nomes semelhantes, o que pode ter contribuído para o erro. O corticoide prescrito foi o succinato sódico de hidrocortisona, enquanto o medicamento aplicado teria sido a succinilcolina, um relaxante muscular potente. Conforme relato da família, a jovem começou a passar mal imediatamente após o início da aplicação intravenosa.
O caso ocorreu na terça-feira (16). A paciente foi reanimada ainda na UPA após a parada cardiorrespiratória, intubada e, no dia seguinte, transferida para um hospital privado, onde permanece na UTI.
Segundo nota assinada pelo secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho, foi instaurada sindicância administrativa para apurar os fatos e identificar eventuais responsabilidades.
Gabriely é indígena da etnia Potiguara. De acordo com a avó, ela procurou a unidade de saúde acompanhada da mãe, apresentando sintomas gripais.
“A médica disse que era um antialérgico. Quando começou a medicação na veia, antes mesmo de terminar, ela começou a ficar roxa e mole. A mãe percebeu e correu, mas quando chegou ela já estava muito mal”, contou Maria Soares.
A família solicitou o prontuário médico e apresentou o documento ao médico do hospital particular. No registro, constam os medicamentos hidrocortisona injetável e succinato sódico 100 mg. Segundo a avó, o médico afirmou que o medicamento descrito no prontuário não justificaria uma parada cardiorrespiratória, o que reforça a suspeita de erro na administração.
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern) informou, em nota, que também irá adotar as providências necessárias para apurar o ocorrido.
Fonte: G1RN