No palco do festival The Town, em São Paulo, no último sábado (13), Júnior Lima resolveu ousar. Conhecido por ter construído a carreira sempre à sombra da irmã Sandy, o cantor, agora em voo solo, pareceu mais preocupado em lacrar do que em cantar. Em meio ao show, soltou: “Anistia é o caralho, porra!”**, ouvindo gritos da plateia.
Diferente da irmã, que conseguiu consolidar uma trajetória estável e respeitada, Júnior nunca deslanchou de verdade sozinho. Sua carreira pós-“Sandy & Júnior” é marcada por projetos discretos e de pouca repercussão. A declaração no festival soa como uma tentativa de voltar aos holofotes pela via mais rápida: a lacração.
O alvo da fala foi o projeto de anistia defendido por parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A proposta tenta perdoar investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, além de acusações contra o próprio ex-presidente, como tentativa de golpe e organização criminosa.
Segundo pesquisa Datafolha, 54% dos brasileiros rejeitam a anistia, ou seja, Júnior apenas surfou no que já é opinião majoritária.
Como esperado, o desabafo dividiu opiniões: alguns fãs aplaudiram a “coragem” do cantor, enquanto outros criticaram o que enxergaram como puro oportunismo. Afinal, será que o artista realmente queria discutir democracia… ou apenas ser lembrado em meio a tantos nomes maiores do festival?
A arte tem o direito de provocar, mas também há diferença entre posicionamento genuíno e discurso de vitrine. No caso de Júnior, o gesto soou mais como autopromoção de um artista que ainda luta para provar que pode brilhar sem a irmã.