O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu indicar o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, que deixa a Corte ainda neste mês.
A escolha de Messias foi confirmada por fontes do Palácio do Planalto e é tratada como decisão política e estratégica. Além de ser um dos auxiliares mais próximos de Lula, Messias tem perfil considerado técnico e, ao mesmo tempo, dialoga com o público evangélico, segmento com o qual o governo tenta reaproximar-se.
Messias, de 45 anos, é procurador da Fazenda Nacional e atua na Advocacia-Geral da União desde 2007. Foi chefe da assessoria jurídica da Presidência da República durante o governo Dilma Rousseff e retornou à Esplanada em 2023, nomeado Advogado-Geral da União por Lula, que emplaca seu terceiro ministro no Supremo desde o início do atual mandato, consolidando uma marca importante na composição da Corte.
A escolha de Messias também tem impacto direto na relação com o Senado Federal, responsável por sabatinar e aprovar o nome indicado. Parlamentares da base avaliam que a indicação tem grande chance de aprovação, já que o perfil do advogado é discreto e técnico, sem histórico de embates com o Legislativo.
Na oposição, porém, há críticas de que o presidente tenha priorizado um nome de afinidade política em vez de optar por uma figura mais independente. Ainda assim, líderes admitem que não há votos suficientes para barrar a nomeação.
O anúncio oficial deve ser feito nos próximos dias, após reunião de Lula com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o senador Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável pela sabatina.
Após o envio da mensagem presidencial, a CCJ avaliará o nome de Messias antes da votação em plenário. Caso aprovado, ele assumirá a cadeira deixada por Barroso e poderá permanecer na Corte por até 30 anos.
Quem é Jorge Messias
45 anos, natural de Pernambuco
Procurador da Fazenda Nacional desde 2007
Ex-chefe da assessoria jurídica da Presidência no governo Dilma Rousseff
Atual Advogado-Geral da União (desde 2023)
Evangélico e conhecido pelo perfil conciliador