O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (17) que se colocou à disposição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para contribuir em uma negociação pela paz entre os EUA e a Venezuela. A declaração foi feita durante reunião ministerial realizada na Granja do Torto, em Brasília.
Segundo Lula, o Brasil tem buscado atuar como interlocutor em meio às tensões diplomáticas entre Washington e Caracas. “Isso que eu disse ao Trump: ‘Se você tiver interesse de conversar com a Venezuela corretamente, nós temos como contribuir’. Agora, é preciso ter vontade de conversar, ter paciência. Assim, o Brasil tem se posicionado”, afirmou o presidente.
Durante o discurso, Lula também minimizou os atritos entre Brasil e Estados Unidos, especialmente diante do tarifaço anunciado por Trump contra produtos de outros países. O presidente disse acreditar em uma solução negociada.
“Vocês estão lembrados de que eu dizia: nós não vamos ter uma briga muito séria com os EUA, da mesma forma que eu disse que aquela crise de 2008 era uma marolinha no Brasil. Ora, nós restabelecemos a conversa com os EUA em um tom muito razoável, muito amigável. Não está tudo resolvido, mas vai ser resolvido”, declarou.
Lula destacou ainda que a paciência é essencial em momentos de crise internacional. “Se tem uma coisa que eu aprendi é que, em tempos de crise, é preciso ter paciência”, completou.
O presidente brasileiro é visto como um dos líderes internacionais mais próximos de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, e vem tentando atuar como mediador diante do agravamento da crise diplomática. Recentemente, Lula chegou a pedir diretamente a Trump que não atacasse o território venezuelano.
Na terça-feira (16), o presidente norte-americano endureceu o discurso e determinou bloqueio aéreo e naval contra a Venezuela. Em comunicado oficial, Trump afirmou que navios sancionados pelos EUA que transportem petróleo venezuelano estão impedidos de entrar ou sair do país, elevando ainda mais a tensão na região.