Às vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF, o governo Lula avalia que os Estados Unidos podem endurecer as sanções contra o Brasil caso haja condenação. A preocupação é tanta que, na sexta-feira (29), a embaixada brasileira em Washington notificou oficialmente o governo americano sobre a abertura de um processo com base na Lei de Reciprocidade, que autoriza o país a reagir com tarifas contra produtos dos EUA.
Bolsonaro e outros sete réus começam a ser julgados nesta terça-feira (2), às 9h, na Primeira Turma do Supremo, pelo suposto plano de golpe.
No Planalto, ministros negam relação direta entre a ofensiva comercial e o julgamento, mas, nos bastidores, o movimento é visto como um “seguro político” para não deixar o Brasil de mãos atadas diante de possíveis novas punições americanas.
Desde julho, os Estados Unidos já aplicaram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, cancelaram vistos de autoridades e chegaram a sancionar o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, legislação que pune violações de direitos humanos.
Aliados de Bolsonaro acreditam que, se condenado, Trump pode ampliar ainda mais as sanções, inclusive contra familiares de ministros do Supremo. O governo brasileiro, por sua vez, trabalha em duas frentes: uma reação emergencial com tarifas imediatas sobre bens americanos, caso a situação piore, e uma estratégia de longo prazo via Lei de Reciprocidade, que pode levar até um ano para ser efetivada, mas garante respaldo jurídico.
A avaliação em Brasília é de que o impasse vai atravessar até as eleições de 2026, já que, para Washington, o julgamento de Bolsonaro importa mais do que qualquer negociação comercial.
No fim, a balança comercial brasileira pode acabar refém do Supremo. O que for decidido na terça-feira em Brasília pode pesar mais do que qualquer discurso diplomático.
Fonte: CNN