Uma mulher de Colatina, no interior do Espírito Santo, viveu momentos de desespero durante o parto do filho, que nasceu com impressionantes 6,5 quilos e 57 centímetros, em um procedimento normal realizado no Hospital e Maternidade São José. A gestante precisou levar 55 pontos após uma grave laceração e o bebê sofreu lesão no braço, permanecendo intubado por cinco minutos depois do nascimento.
A história chamou atenção em todo o país não apenas pelo tamanho incomum do recém-nascido, batizado de Alderico, mas também pelas circunstâncias do parto, que agora são alvo de investigação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
Segundo relato da mãe, exames realizados nas semanas anteriores já indicavam que o bebê era grande e que haveria recomendação médica para cesariana. Mesmo assim, a equipe teria optado por induzir o parto normal.
Durante o procedimento, o bebê ficou preso no canal de parto, o que teria provocado uma lesão no ombro e uma falta de oxigenação de aproximadamente cinco minutos. Após o nascimento, ele foi intubado e levado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, onde permaneceu internado por cerca de dez dias.
A mãe, por sua vez, sofreu uma grave hemorragia e precisou de 55 pontos para conter os ferimentos.
Em nota, o Hospital e Maternidade São José afirmou que o parto foi conduzido “com avaliação criteriosa” e que os profissionais seguiram protocolos médicos adequados. A direção informou ainda que o prontuário médico está sendo revisado e que colaborará com as autoridades de saúde.
A Sesa confirmou que abriu uma auditoria para apurar o caso, verificando se houve falha de conduta médica e se a decisão por parto normal foi tecnicamente adequada diante do peso do bebê.
O pequeno Alderico passa bem, mas segue em tratamento fisioterápico para recuperar os movimentos do braço afetado. Médicos acreditam que a lesão pode estar relacionada a uma distensão do plexo braquial, comum em partos difíceis de bebês grandes, mas ainda sem confirmação definitiva.
A mãe também se recupera em casa, ainda sob acompanhamento médico e psicológico.
Partos normais de bebês com mais de 6 quilos são considerados extremamente raros. A média de peso de recém-nascidos brasileiros é de 3,2 quilos. Casos como o de Alderico geralmente exigem cesariana programada, justamente para evitar lacerações, hemorragias e lesões musculares.