Um médico boliviano que atuava no Hospital Regional Vinícius Conrado, em Eirunepé, interior do Amazonas, foi preso preventivamente após atrasar cinco horas para atender uma gestante em trabalho de parto. O bebê nasceu em estado crítico e morreu logo depois. O caso gerou forte comoção no município e levou a Polícia Federal a abrir investigação por omissão de socorro e homicídio qualificado.
A gestante, uma adolescente de 17 anos, deu entrada na unidade por volta das quatro horas da manhã, apresentando sinais de parto avançado. A equipe tentou acionar o obstetra plantonista, Humberto Fuertes Estrada, que estava de sobreaviso, mas ele não atendeu às ligações. Sem o especialista, enfermeiros e um clínico-geral prestaram os primeiros atendimentos, mas não conseguiram realizar o procedimento de forma segura. O médico só chegou ao hospital por volta das nove horas. Quando realizou o parto, a criança já apresentava quadro grave e não resistiu.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pela investigação mostram que, durante o período em que deveria estar disponível para atendimento, o médico estava em um bar da cidade consumindo bebida alcoólica. Após o episódio, ele deixou Eirunepé e foi considerado foragido, até ser localizado pela PF em Manaus, onde foi detido enquanto fazia saques em um caixa eletrônico.
A prisão preventiva foi decretada pela Justiça do Amazonas, que considerou a conduta do médico incompatível com o exercício da função e um risco à ordem pública. A PF segue apurando as circunstâncias do atendimento, e laudos complementares devem indicar se a morte do bebê foi diretamente causada pela demora. O hospital também é alvo de questionamentos sobre a escala médica e a falta de supervisão no plantão.