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Médicos de Natal ameaçam nova paralisação: “Sete anos sem reajuste é abandono”

Os médicos da rede municipal de Natal estão no limite — e uma nova paralisação pode ser anunciada nos próximos dias. O motivo? Sete anos de congelamento das gratificações e a falta de avanço nas negociações com a Prefeitura.

A insatisfação foi exposta pelo presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN), Geraldo Melo, em entrevista à rádio Jovem Pan News Natal (93,5 FM), neste fim de semana.

“Não estamos pedindo aumento de salário, apenas a readequação das gratificações, que estão defasadas desde 2017. Outras categorias já foram contempladas, e os médicos continuam sem resposta. Isso é injusto”, declarou.

“Sem pressão, nada acontece”

Segundo Geraldo Melo, a categoria foi recebida pelo secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho, mas a reunião não resultou em nenhuma proposta concreta.

“O tratamento foi cordial, como sempre. Mas a experiência nos mostra que, sem pressão, nada muda. O discurso é sempre o mesmo: que os médicos merecem, mas na hora de assinar, ninguém assina nada.”

Diante do impasse, os médicos planejam uma mobilização nas ruas. A ideia é levar a discussão à população — literalmente.

“Vamos montar um palanque na Avenida Rio Branco e ouvir o que o povo tem a dizer sobre a saúde pública. Em protestos anteriores, isso foi muito poderoso. Já tivemos até paciente internado pedindo o microfone para cobrar leito”, lembrou Melo.

Superlotação, UTI lotada e macas retidas

Além da luta por valorização profissional, os médicos denunciam um sistema à beira do colapso. Faltam leitos, sobram pacientes graves nas UPAs e o Hospital Walfredo Gurgel, maior do estado, continua operando no limite.

“Cada UPA tem cerca de 20 pacientes aguardando vaga em hospital. Muitos deles em estado grave. E o Walfredo, mesmo com toda sua estrutura, já não dá mais conta”, afirmou.

As cirurgias ortopédicas, segundo ele, viraram um gargalo. Acidentes de moto geram até 10 internações por dia, com custo médio de R$ 6 mil cada. E ainda faltam insumos, alimentação adequada e regularidade nos pagamentos aos prestadores.

“Há até um projeto de lei tentando impedir que o SAMU fique retido por falta de leitos. Estamos diante de um problema crônico e estrutural.”

Insalubridade e periculosidade também estão em pauta

Outro ponto sensível da pauta médica é a revisão dos adicionais de insalubridade e periculosidade, principalmente para os profissionais que atuam no Walfredo Gurgel.

“Eles lidam com secreções, riscos biológicos, agentes infecciosos e ainda estão expostos à radiação. Em alguns casos, a insalubridade deveria ser de 40%, como no Hospital Giselda Trigueiro. E a periculosidade, que incide sobre o salário base, também se justifica.”

Melo explicou que a insalubridade trata da exposição contínua, enquanto a periculosidade envolve riscos imediatos, como o contato com materiais radioativos ou a violência. “Os profissionais estão expostos a tudo isso diariamente”, completou.

E agora?

A categoria aguarda um retorno concreto da Prefeitura, mas já se articula para mobilizações de rua, caso não haja avanço.

“A saúde pública pede socorro. E os médicos também. Nossa luta é pela dignidade de quem atende — e de quem é atendido”, finalizou Geraldo Melo.

Fonte: Tribuna do Norte

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