Às vésperas da COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas que será realizada em Belém (PA), entre 10 e 21 de novembro, o Ministério da Defesa abriu licitação para adquirir um robô de R$ 1 milhão especializado na desativação de bombas. O equipamento, no entanto, só deverá ser entregue depois do evento, mesmo sendo a conferência considerada de alto risco e com forte esquema de segurança previsto.
O novo robô será destinado ao Batalhão de Engenharia de Fuzileiros Navais da Marinha, que quer transformar seu atual Pelotão EOD (Explosive Ordnance Disposal) em uma Companhia EOD, padrão necessário para se qualificar junto ao Sistema de Prontidão e Capacidades de Manutenção da Paz da ONU (UNPCRS).
Robô nacional, tecnologia de ponta
Segundo o edital, o equipamento será produzido no Brasil, com o objetivo de reduzir prazos de manutenção e dependência de peças importadas. Atualmente, a Marinha dispõe de quatro robôs desse tipo, adquiridos em 2014 para a Copa do Mundo, que hoje enfrentam problemas por falta de peças e suporte técnico — os modelos já foram descontinuados pelo fabricante.
A exigência por produção nacional também visa garantir que o Brasil mantenha capacidade autônoma em casos de emergência. O robô deverá ter até 150 quilos, tração por esteiras, alcance de operação de 300 metros, e ser equipado com um canhão de 12 mm com mira a laser, além de braço articulado, alto-falantes, sensores de distância e até capacidade para arrastar uma pessoa ferida.
Segurança na COP30
Apesar de ser uma tecnologia voltada à proteção de eventos de grande porte, o novo equipamento não chegará a tempo da COP30, que deve reunir 140 chefes de Estado e 80 delegações estrangeiras. A sessão pública de abertura das propostas será no dia 23 de julho, e a entrega deve ocorrer em até 120 dias após a assinatura do contrato, o que ultrapassa a data do evento climático.
A justificativa oficial aponta que a aquisição não está diretamente ligada à COP30, mas sim ao fortalecimento da estrutura permanente da Marinha e à integração ao sistema de prontidão da ONU. Ainda assim, o investimento ocorre num momento em que o governo federal vem sendo cobrado por gastos com estruturas e segurança para a conferência, como o caso recente da FAB, que gastou R$ 1,8 milhão em duas salas VIP no evento.
De acordo com o estudo técnico da licitação, o robô permitirá que ações de reconhecimento, manipulação e neutralização de artefatos explosivos sejam feitas sem expor o operador humano ao risco, sendo fundamental para a atuação em cenários de terrorismo, sabotagem e conflitos urbanos.
A compra reflete o esforço da Defesa em modernizar suas forças com tecnologia autônoma e nacional, mesmo que a entrega não contemple um dos maiores eventos internacionais já realizados no país.