Mais de um mês após o desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, a investigação segue sem respostas concretas em Bacabal. A Polícia Civil do Maranhão trabalha atualmente com a hipótese de que as crianças tenham se perdido na mata e caído no Rio Mearim.
O delegado Edson Martins informou nesta segunda-feira, 23, que apesar da falta de vestígios, essa é a linha de investigação considerada mais provável até o momento. Ele ressaltou, no entanto, que o inquérito ainda não foi concluído e outras possibilidades não estão descartadas.
Desde 4 de janeiro, forças de segurança mantêm uma operação contínua no quilombo São Sebastião dos Pretos. A região é marcada por vegetação fechada, chuvas intensas e vários cursos d’água, fatores que dificultam o trabalho das equipes e ampliam o mistério em torno do caso.
A área principal das buscas foi delimitada com base no relato de Anderson Kauan, primo das crianças, que desapareceu junto com elas e foi o único encontrado com vida. O menino foi localizado quatro dias depois, a cerca de quatro quilômetros de casa, sem roupas e em meio ao matagal.
O depoimento da criança levou os investigadores até um ponto conhecido como “casa caída”, próximo ao Rio Mearim, onde os primos teriam passado uma das noites. Após varreduras na mata sem resultados, as buscas foram intensificadas no rio.
O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, com apoio da Marinha, realizou cinco dias de buscas subaquáticas com auxílio de sonar de varredura lateral. Mesmo após percorrer cerca de 180 quilômetros do rio, nenhum indício foi encontrado.
Linha do tempo do caso
O desaparecimento ocorreu no dia 4 de janeiro, quando as três crianças saíram de casa para brincar. No dia seguinte, uma grande operação foi montada com apoio das polícias Civil e Militar, além de bombeiros e voluntários.
As buscas ganharam reforço com helicópteros, drones e cães farejadores. Anderson foi encontrado no dia 7 de janeiro. Peças de roupa localizadas na mata chegaram a ser analisadas, mas a Secretaria de Segurança descartou que pertencessem aos irmãos.
A prefeitura chegou a oferecer recompensa por informações, denúncias sobre possível localização em outros estados foram investigadas e descartadas, e até suspeitas envolvendo familiares foram oficialmente negadas pela polícia.
No início de fevereiro, a Polícia Civil informou que priorizaria a hipótese de que as crianças tenham se perdido na mata, mantendo em aberto a possibilidade de participação de terceiros.
Enquanto as investigações continuam, familiares e moradores da comunidade seguem mobilizados em busca de respostas sobre o paradeiro de Ágatha e Allan.