Integrantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) ocuparam, na manhã deste sábado (20), uma unidade do Supermercado Queiroz Satélite, em Natal, em uma ação que gerou transtornos a clientes, funcionários e à rotina de funcionamento da empresa. Segundo o próprio movimento, mais de 300 famílias participaram da ocupação, que teve como objetivo exigir a doação de cestas básicas.
A iniciativa levanta questionamentos sobre os limites da mobilização social, ao direcionar a pressão a uma empresa privada que atua legalmente, cumpre suas obrigações fiscais e gera centenas de empregos diretos e indiretos na capital potiguar. Funcionários relataram momentos de tensão durante a ocupação, enquanto consumidores foram impedidos de realizar compras normalmente.
Em nota divulgada nas redes sociais, o MLB justificou a ação como uma resposta ao avanço da fome e da miséria no país, alegando que milhares de famílias vivem em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar. O movimento também defendeu que grandes redes de supermercados deveriam assumir maior “responsabilidade social” diante do atual cenário econômico.
A cobrança por políticas públicas de combate à fome deve ser direcionada ao poder público, responsável constitucionalmente por ações de assistência social, e não imposta por meio de ocupações a empresas privadas, que já contribuem com impostos e geração de renda.
Até que ponto manifestações desse tipo ajudam a enfrentar problemas sociais estruturais? Acabam transferindo, de forma coercitiva, responsabilidades do Estado para a iniciativa privada, comprometendo o direito de ir e vir e a segurança jurídica.