Uma história marcada por violência extrema, sobrevivência e medo continua revoltando quem acompanha o caso de Ednalva Ribeiro de Souza, de 49 anos. Vítima de uma brutal tentativa de assassinato em 2025 na cidade de Parnamirim, ela luta até hoje para reconstruir a própria vida enquanto teme que o agressor possa ser solto a qualquer momento.
Segundo o relato de Ednalva, o crime aconteceu depois que ela comunicou ao então companheiro que não queria mais continuar a relação. Na noite anterior ao ataque, ela tomou um remédio para dormir, pois precisava acordar cedo para trabalhar no dia seguinte.
Durante o sono, no entanto, foi surpreendida pelo ex-companheiro, que a atacou com golpes de facão.
A violência foi devastadora. Ednalva sofreu ferimentos gravíssimos na cabeça e no rosto. Ela ficou em coma por cinco dias e só despertou no Hospital Walfredo Gurgel, em Natal. Ao todo, foram mais de 180 pontos na cabeça e um longo processo cirúrgico para reconstrução da face.
Além das graves lesões, dois dedos da vítima foram amputados durante o ataque. Apenas um deles conseguiu ser reimplantado pelos médicos.
Hoje, Ednalva convive com as sequelas físicas e psicológicas da agressão. Devido aos traumas, ela não consegue mais trabalhar e enfrenta dificuldades até para manter o básico no dia a dia. A vítima precisa de ajuda para alimentação, vestuário e medicações.
Apesar da brutalidade do crime, a decisão judicial no caso tem gerado indignação. O juiz responsável classificou o episódio como lesão corporal, e não como tentativa de feminicídio, o que pode resultar em uma pena mais branda para o agressor.
A advogada Andréia Albuquerque decidiu assumir a defesa de Ednalva de forma gratuita e afirma que o caso apresenta elementos claros de violência extrema.
De acordo com a advogada, no processo existem vídeos que mostram o agressor segurando um facão e ameaçando Ednalva. Ainda assim, o andamento do caso sofreu reveses. Segundo ela, o Ministério Público de Parnamirim teria perdido o prazo processual para recorrer, o que pode permitir que o agressor seja solto a qualquer momento.
As imagens anexadas ao processo são descritas como chocantes. A vítima aparece com a cabeça dilacerada, orelhas cortadas e um dedo amputado, evidenciando a brutalidade do ataque.
Hoje, além de lutar pela própria recuperação, Ednalva vive escondida morando de favor e com medo.
Casos como esse levantam questionamentos na sociedade sobre a forma como crimes de violência contra a mulher são analisados e julgados. Para muitos, a principal pergunta que fica é: se algo voltar a acontecer com Ednalva, quem será responsabilizado?
O caso de dona Ednalva mostra a importância de uma análise rigorosa dos casos de violência doméstica e de gênero, para garantir proteção às vítimas e punição rigorosa dos comprovadamente agressores.