O combate às arboviroses ganhou um novo reforço em Natal. Foi inaugurada nesta quinta-feira (16), no bairro Felipe Camarão, a primeira fábrica de “mosquitos do bem” do Rio Grande do Norte — uma iniciativa que une ciência e tecnologia na luta contra dengue, zika e chikungunya.
O projeto é fruto de uma parceria entre as secretarias de Saúde de Natal e do Estado com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e faz parte da expansão nacional do método Wolbachia, já aplicado com sucesso em cidades como Rio de Janeiro, Niterói e Campo Grande.
Na fábrica, os cientistas produzem mosquitos Aedes aegypti infectados naturalmente com a bactéria Wolbachia. Essa bactéria impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se multipliquem dentro do inseto, tornando-o incapaz de transmitir as doenças.
Quando os mosquitos com Wolbachia — chamados de “wolbitos” — são liberados no ambiente, eles se reproduzem com os mosquitos locais e passam a bactéria para as próximas gerações. Com o tempo, a população de Aedes aegypti que transmite vírus tende a diminuir de forma natural e sustentável.
O processo de criação é altamente controlado. Os ovos dos mosquitos são colocados em recipientes com água para eclodir e, depois, as larvas crescem sob monitoramento de temperatura, luz e alimentação. Quando chegam à fase adulta, são separados e preparados para a liberação nas ruas.
A previsão é de que as solturas ocorram ao longo de 20 semanas, abrangendo 33 bairros de Natal, escolhidos por apresentarem os maiores índices de arboviroses. A expectativa é que os primeiros resultados apareçam nos próximos meses, com redução progressiva nos casos de dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes.
De acordo com a Fiocruz, o método é seguro para o meio ambiente e para a população. Os mosquitos com Wolbachia não transmitem doenças e não são geneticamente modificados — a bactéria está presente naturalmente em mais da metade das espécies de insetos existentes na natureza.
Além do controle biológico, o projeto também prevê ações de educação em saúde e engajamento comunitário, com atividades em escolas, unidades de saúde e associações de moradores nas áreas beneficiadas.
O Rio Grande do Norte é um dos primeiros estados do Nordeste a adotar o método, que vem se consolidando como uma alternativa sustentável ao uso de inseticidas e à pulverização química.
Segundo as autoridades de saúde, o objetivo é reduzir significativamente os casos de dengue, zika e chikungunya em Natal e, futuramente, expandir o programa para outros municípios potiguares.