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Natal, Macaíba, Parelhas, Baía Formosa e Mossoró estão entre as mais afetadas pela taxação de 50% sobre produtos do RN; perdas podem refletir no FPM e gerar desemprego

As novas tarifas de 50% impostas pelo governo dos Estados Unidos para produtos exportados pelo Rio Grande do Norte já atingem duramente a economia potiguar. Desde o dia 6 de agosto, municípios como Natal, Macaíba, Parelhas, Baía Formosa, Mossoró, Currais Novos, São Paulo do Potengi, Porto do Mangue, Touros e Macau — juntos responsáveis por US$ 37,8 milhões em exportações de janeiro a julho de 2025 — veem parte de sua produção perder competitividade no mercado americano.

Os dados, compilados pelo Observatório da Indústria MAIS RN (FIERN) e pelo Sebrae-RN, revelam que Guamaré, que seria líder da lista, ficou de fora do cálculo por ter seus principais produtos — combustíveis e derivados — isentos da tarifa.

A capital Natal lidera o ranking, com US$ 13,9 milhões exportados no período, puxados principalmente pelo pescado, que sozinho responde por US$ 12,4 milhões. O impacto também é sentido em Baía Formosa (US$ 4,3 milhões), Porto do Mangue (US$ 1,1 milhão) e Touros (US$ 1 milhão). Macaíba, segunda mais afetada (US$ 5,4 milhões), sofre especialmente com a taxação do açúcar e de preparações alimentícias.

Mossoró, quinta colocada (US$ 3,7 milhões), vê o sal e o pescado na lista dos mais prejudicados, ao lado de frutas e melões. Já Parelhas, terceira no ranking (US$ 4,3 milhões), e Caicó (US$ 1,5 milhão) exportam principalmente obras de pedra, cimento e metais preciosos.

O presidente da Federação dos Municípios do RN, Babá Ferreira, alerta que a queda nas exportações poderá reduzir os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), já que 15% do recurso vem do IPI, tributo sobre produtos agora afetados pela tarifa. “Já tem empresas dando férias coletivas e há o temor de desemprego nas nossas cidades”, disse.

O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, reforça a preocupação: “A pauta exportadora dessas localidades é fortemente composta por pescado, sal e açúcar, todos agora com 50% de acréscimo tarifário. As empresas já buscam alternativas e novos mercados para minimizar perdas”.

Segundo ele, a entidade e sindicatos do setor produtivo trabalham para manter preços competitivos e reduzir custos logísticos, enquanto indústrias tentam abrir mercados na Europa, África e Ásia.

David Góis, gerente de Acesso a Mercados do Sebrae-RN, lembra que o impacto vai além dos grandes exportadores: “Toda a cadeia de pequenos fornecedores, que presta serviços para empresas de pescado e sal, será afetada”. O Sebrae oferece ações para ajudar empresários a diversificar mercados e adaptar produtos para manter as operações ativas.

Ranking do impacto (US$ FOB, jan-jul/2025)

  1. Natal – 13.966.467
  2. Macaíba – 5.466.533
  3. Parelhas – 4.396.249
  4. Baía Formosa – 4.317.408
  5. Mossoró – 3.785.030
  6. Currais Novos – 1.565.372
  7. São Paulo do Potengi – 1.370.324
  8. Porto do Mangue – 1.147.014
  9. Touros – 1.040.578
  10. Macau – 789.923

Total: US$ 37.844.898

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