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Nova fala de Lula sobre operação no Rio surpreende até aliados e contrasta com apoio popular à ação policial

As novas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que deixou mais de 100 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, geraram surpresa até entre aliados do governo. Ao classificar a ação como uma “matança” e defender uma investigação independente sobre as mortes, Lula se distanciou do tom adotado por grande parte de sua base política e da opinião predominante entre a população, que em sua maioria aprova a operação como medida necessária no combate à criminalidade.

“Até agora nós temos uma versão contada pela polícia, contada pelo governo do estado, e tem gente que quer saber se tudo aquilo aconteceu do jeito que eles falam ou se teve alguma coisa mais delicada na operação”, disse o presidente. Lula afirmou ainda que a ordem judicial previa apenas prisões, não o uso de força letal. “A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não uma ordem de matança. E houve a matança”, completou.

A fala causou desconforto entre parlamentares da base, que avaliam que o presidente pode ter subestimado o sentimento de apoio popular à ação, vista por boa parte da sociedade como um ato de enfrentamento ao poder das facções e um passo importante para a redução da violência no estado.

Nos bastidores, aliados reconhecem que, embora o presidente tenha buscado defender o respeito aos direitos humanos, o tom adotado foi interpretado como crítico à polícia num momento em que o governo tenta reforçar sua imagem de firmeza no combate ao crime organizado.

Em paralelo, Lula disse que o governo federal estuda enviar peritos da Polícia Federal para acompanhar as investigações e garantir transparência sobre as mortes. O governo do Rio, por sua vez, mantém a posição de que a operação foi “bem-sucedida” e que todos os mortos eram suspeitos de integrar grupos criminosos armados.

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