Pesquisadores têm observado um fenômeno mundial conhecido como “apagão sexual”: a queda da atividade sexual entre os jovens. Estudos divulgados pela Newsweek e pela CNN Brasil mostram que, nos Estados Unidos, o número de pessoas entre 18 e 30 anos que não fizeram sexo no último ano dobrou desde 2008. No Brasil, embora faltem dados nacionais consolidados, especialistas indicam tendência semelhante.
Entre as principais causas estão o uso excessivo de tecnologia, o isolamento social e o tempo crescente diante das telas. A psiquiatra Carmita Abdo, da USP, explica que o consumo de pornografia e o excesso de estímulos digitais podem reduzir o interesse por relações reais. “Muitos jovens estão mais conectados ao mundo virtual do que às próprias emoções e desejos”, afirma.
A pressão econômica, o foco na carreira e o aumento dos casos de ansiedade e depressão também influenciam. Segundo o sexólogo Rodrigo Schroder, há uma geração mais seletiva e emocionalmente exigente, que prefere conexões verdadeiras a relações superficiais.
Apesar da queda nas estatísticas, especialistas veem a mudança como parte de uma nova forma de encarar o sexo com menos tabu e mais responsabilidade. Hoje, a busca por prazer vem acompanhada de respeito, consentimento e equilíbrio.
Vale lembrar que, em casais considerados estáveis, a média saudável de relações sexuais varia entre duas e três vezes por semana, frequência que tende a contribuir para o bem-estar físico e emocional de ambos.