A Polícia Civil do Rio Grande do Norte realizou na manhã desta quarta-feira a Operação GH-404, uma ação voltada para desmontar um esquema de desvio de somatropina, hormônio de uso restrito e controlado pela Anvisa, distribuído pela rede pública do estado.
As investigações começaram depois que a Secretaria de Estado da Saúde Pública identificou divergências no estoque e registros de entrega do medicamento. Segundo a Polícia Civil, havia dispensações que não eram reconhecidas pelos responsáveis legais dos pacientes, o que levantou suspeitas de fraude.
Durante o cumprimento das medidas autorizadas pela Justiça, os agentes recolheram documentos, computadores, celulares e extratos bancários. A decisão judicial também determinou o afastamento temporário de servidores da Unidade Central de Agentes Terapêuticos para garantir que as apurações continuem sem interferências. Enquanto isso, pacientes seguem enfrentando filas e até ficando sem o medicamento.
A operação contou com apoio da Sesap, da Unicat e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil. A somatropina, hormônio de crescimento sintético, só pode ser usada em situações clínicas específicas e é proibida para fins estéticos, de rejuvenescimento ou aumento de massa muscular.
Em nota, a Sesap destacou que a investigação começou a partir de uma comunicação feita pelas próprias instituições às autoridades policiais, após suspeitas internas. A pasta informou que colaborou integralmente com o cumprimento das medidas judiciais e que precisou suspender os atendimentos durante a manhã, com retorno previsto para o período da tarde.
O nome da operação faz referência ao hormônio GH e ao código “404”, usado para indicar erro de conteúdo não encontrado na internet, simbolizando as falhas de rastreabilidade identificadas no controle do medicamento.
Nota da Sesap na íntegra
As gestões da Secretaria de Estado da Saúde Pública e da Unidade Central de Agentes Terapêuticos esclarecem que a operação realizada pela Polícia Civil nesta quarta-feira é fruto de uma comunicação feita pelas próprias instituições às autoridades policiais, com o objetivo de investigar suspeitas encontradas a partir de apurações internas.
A gestão coopera com toda a apuração e cumprimento das medidas judiciais de busca e apreensão e afastamento dos servidores investigados, tendo que suspender os atendimentos à população durante o período da manhã em virtude da operação policial, com a perspectiva de retorno do expediente à tarde.
Sesap e Unicat reforçam o compromisso em zelar pelos recursos públicos e pela saúde da população potiguar, sem compactuar com desvios de qualquer finalidade por parte de qualquer servidor.