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PF barra gravações de “Aeroporto: Área Restrita” e trava disputa com Receita Federal sobre acesso a áreas de segurança

As gravações do programa “Aeroporto: Área Restrita” foram interrompidas pela Polícia Federal em áreas de segurança de aeroportos brasileiros, o que abriu um impasse com a Receita Federal sobre quem tem autoridade para liberar o acesso a esses espaços.

Segundo a produtora responsável pelo reality, a PF negou o credenciamento da equipe no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e ainda cancelou autorizações que já haviam sido concedidas para filmagens em outros terminais.

A atração, exibida desde 2017, mostra o dia a dia de agentes públicos na fiscalização de passageiros e no combate a crimes como tráfico de drogas e contrabando.

A Receita Federal sustenta que a liberação de acesso às áreas alfandegadas é atribuição do próprio órgão. Já a Polícia Federal afirma que a segurança aeroportuária é de sua responsabilidade, incluindo o controle de circulação em locais considerados restritos.

Em ofício enviado à concessionária RIOgaleão, o delegado José Paulo Martins Duval orientou que não fossem emitidas credenciais para equipes de filmagem nessas áreas. O documento também proíbe a gravação de procedimentos operacionais, servidores e estruturas classificadas como sensíveis.

Nos bastidores, relatos indicam que já havia tensão entre os dois órgãos durante gravações em Guarulhos. O clima teria ficado mais acirrado recentemente no Galeão, com presença ostensiva de policiais armados próximos às áreas alfandegadas.

Em nota, a Polícia Federal disse que a decisão segue normas constitucionais e regras do Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil e da Anac. Segundo a corporação, a circulação em áreas críticas deve ser restrita a profissionais com necessidade operacional, e a presença constante de câmeras pode expor estratégias de fiscalização e comprometer a privacidade das pessoas abordadas.

A produtora Moonshot informou que iniciou a oitava temporada em dezembro de 2025 e que havia recebido autorização inicial para gravar nos aeroportos de Viracopos, Galeão e Pinto Martins. A empresa defende que o programa tem caráter educativo e afirma que, ao longo de sete temporadas, não houve incidentes que afetassem a segurança.

A produtora agora aguarda uma revisão da decisão. Procuradas, a Receita Federal e a concessionária RIOgaleão não se manifestaram.

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