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PF cumpre mandado no RN em operação contra fraudes bilionárias no INSS

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (9), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes bilionárias em descontos indevidos em benefícios do INSS. Entre os oito estados onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão, está o Rio Grande do Norte, com ação realizada na cidade de Mossoró, no Oeste potiguar.

Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, aplicando descontos em aposentadorias e pensões sem autorização dos beneficiários. As irregularidades envolvem entidades associativas e sindicais que usavam informações de aposentados para efetuar débitos automáticos em folha, sem consentimento.

O esquema teria causado prejuízo direto a milhares de segurados potiguares, principalmente idosos e pensionistas que recebem o benefício mínimo. De acordo com fontes da investigação, parte das vítimas no RN percebeu os descontos apenas após meses de retenções indevidas, o que levou à abertura de dezenas de reclamações na ouvidoria do INSS em Natal e Mossoró.

Nesta nova fase, foram expedidos 66 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal, além do bloqueio judicial de R$ 400 milhões em bens de investigados. As ordens foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os crimes investigados incluem inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. No RN, os alvos seriam pessoas ligadas a uma empresa de representação de associações suspeitas de operar os descontos irregulares junto ao sistema do INSS.

A Operação Sem Desconto é coordenada pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério da Previdência Social. O foco principal está em entidades como o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), investigadas por supostamente lucrar com convênios fraudulentos com bancos e operadoras de crédito consignado.

A investigação aponta que, para sustentar o esquema, os responsáveis criaram uma rede de empresas de fachada e intermediários que repassavam recursos a servidores e dirigentes de entidades sindicais.

No Rio Grande do Norte, a PF reforçou que o estado tem papel relevante no esquema, sendo um dos polos de intermediação das transações financeiras suspeitas, especialmente em Mossoró e Natal.
Fontes ligadas à investigação confirmaram que dados de segurados potiguares foram usados indevidamente para simular filiações e autorizações de descontos, o que ampliou o alcance das fraudes.

A Superintendência da PF em Natal informou que a operação segue em andamento e que detalhes sobre os nomes dos alvos não serão divulgados neste momento para não comprometer o sigilo das apurações.

O Ministério da Previdência Social afirmou, em nota, que trabalha para “assegurar a devolução dos valores descontados indevidamente e punir os responsáveis”.
A Controladoria-Geral da União destacou que o modelo de monitoramento de benefícios será aprimorado para impedir novas fraudes.

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