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Professores de Natal denunciam ameaças para não registrar faltas que podem cortar Bolsa Família

No bairro Planalto, zona oeste de Natal, professores de uma escola pública estão vivendo um verdadeiro dilema: ou registram as faltas dos alunos e correm o risco de vida, ou fecham os olhos para a evasão escolar para não desagradar pais e responsáveis que temem perder o Bolsa Família.

A denúncia partiu de um morador do bairro Planalto, na Zona Oeste da cidade, ele relatou que docentes vêm sendo ameaçados por pais para lançar presenças de alunos ausentes. “Eles ficam amedrontados, sem alternativa, e acabam registrando a presença de quem não foi para evitar ameaças”, contou.

O programa social exige que crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos mantenham frequência escolar mínima, variando de 60% a 75%, conforme a idade. Caso contrário, o benefício pode ser suspenso ou até cancelado. Hoje, mais de 21 milhões de famílias dependem do programa no Brasil.

Segundo educadores, a pressão de responsáveis não apenas coloca em risco a segurança dos profissionais, mas também compromete a eficácia da política pública. Quando faltas são maquiadas como presenças, a evasão escolar fica escondida nos números, impedindo que medidas de apoio real sejam aplicadas às famílias que precisam.

A denúncia ainda revela um problema maior: a dependência estrutural do Bolsa Família em comunidades inteiras. Há relatos de famílias que evitam empregos formais por medo de perder o benefício, transformando um programa que deveria ser temporário em pilar fixo de sobrevivência.

O Bolsa Família tem seu mérito ao combater a fome e apoiar famílias vulneráveis. Mas quando se transforma em escudo para justificar ameaças a professores e até como desculpa para não buscar autonomia financeira, algo está fora de controle. Educação deveria ser a porta de saída da pobreza, não um meio de se manter nela.

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