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Protestos no Nepal deixam mais de 50 mortos e derrubam primeiro-ministro

Os protestos que tomam as ruas do Nepal desde o início de setembro entraram em uma fase decisiva, após a renúncia do primeiro-ministro K. P. Sharma Oli e a confirmação de pelo menos 51 mortos nos confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

As manifestações, lideradas pela chamada “Geração Z”, começaram no dia 8 de setembro, depois que o governo bloqueou 26 plataformas de redes sociais, incluindo Facebook, X (Twitter) e YouTube. A medida foi vista como um ataque direto à liberdade de expressão, mas rapidamente as reivindicações se ampliaram, refletindo anos de insatisfação com corrupção, nepotismo e desigualdade social.

Apesar do recuo do governo, que suspendeu a proibição às redes, a onda de protestos continuou. O cenário no país é de forte instabilidade: além das mortes e centenas de feridos, prisões foram invadidas e milhares de detentos escaparam. Toques de recolher seguem sendo impostos em várias cidades, especialmente em Katmandu, mas sem conseguir conter completamente a mobilização popular.

A renúncia de Oli abriu espaço para discussões sobre um governo de transição. O nome da ex-chefe da Suprema Corte, Sushila Karki, surge como possível liderança interina, defendida por parte da sociedade civil e setores ligados às manifestações.

Internacionalmente, cresce a preocupação com o rumo do Nepal, que ocupa posição estratégica no sul da Ásia, entre Índia e China. Analistas apontam que, mesmo com a saída do premiê e a liberação das redes sociais, o movimento da juventude nepalesa deve seguir pressionando por mudanças estruturais no sistema político.

Enquanto isso, o país vive dias de tensão e incerteza, com a nova geração assumindo protagonismo e colocando em xeque práticas políticas que, segundo eles, travam o desenvolvimento e a democracia no Nepal.

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