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Racha político provoca queda de indicados de Walter no governo Fátima e amplia tensão no RN

Foto: Eduardo Maia/ALRN

O rompimento político entre o vice-governador Walter Alves e a governadora Fátima Bezerra começou a produzir efeitos diretos na estrutura do governo estadual. Vinte e cinco dias após Walter anunciar apoio à pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, aliados indicados por ele começaram a deixar cargos estratégicos na gestão.

O primeiro nome a sair foi o presidente da Caern, Sérgio Rodrigues, exonerado na quarta-feira. Para o posto, Fátima nomeou George Marcos, que passa a acumular as funções de diretor-presidente e diretor de Planejamento e Finanças. George integra o grupo de confiança da governadora desde sua atuação na Câmara dos Deputados e no Senado.

Horas antes das exonerações, Fátima recebeu a imprensa para um café da manhã e não escondeu a insatisfação com a decisão do vice. Disse que tudo estava pactuado para que ele assumisse o governo e apoiasse o nome do grupo governista. Classificou o rompimento como abrupto e afirmou que a direção nacional do PT, assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi informada e recebeu a notícia com decepção.

Para a governadora, Walter teria cometido um equívoco e desperdiçado a melhor oportunidade de disputar o Governo do Estado.

Demissões em série

No mesmo dia, o Diário Oficial trouxe a exoneração do secretário adjunto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Geomarques Nunes de França Júnior. A pasta é comandada pelo geólogo Paulo Varella Neto, que já ocupou função semelhante no governo Garibaldi Alves Filho, pai do vice-governador.

Um dia depois, foi a vez do secretário de Desenvolvimento Econômico, Alan Silveira, deixar o cargo. Ele havia assumido em julho de 2025 e permaneceu pouco mais de sete meses na função. Alan já tinha comunicado à governadora a intenção de sair, mas atendeu a um pedido para concluir ações iniciadas na pasta antes da formalização da saída.

Em carta publicada nas redes sociais, Alan citou resultados da gestão e agradeceu a Walter Alves pela confiança na indicação.

Fontes do governo afirmam que não há intenção de perseguição política, mas reforçam que auxiliares devem manter postura técnica e alinhamento institucional enquanto estiverem na gestão. Segundo essa versão, após o rompimento político, os exonerados teriam adotado postura de proselitismo contrário à linha do governo.

Dentro do Executivo, não havia expectativa imediata de saída do secretário Paulo Varella, embora tenha circulado a informação de que uma carta de exoneração teria sido entregue.

Procurado para comentar as críticas da governadora e as demissões, Walter Alves preferiu não se pronunciar. O espaço segue aberto.

Luciano Santos permanece

Em meio às mudanças, um nome ligado ao MDB permanece no governo. O secretário extraordinário para Assuntos Federativos, Luciano Santos, não está na lista de possíveis exonerações.

Ex-prefeito de Lagoa Nova por dois mandatos e ex-presidente da Femurn, Luciano afirmou que respeita decisões partidárias, mas que qualquer definição pessoal será tomada com diálogo e responsabilidade. Destacou que sua nomeação partiu de convite direto da governadora, com caráter técnico e institucional, e não de indicação partidária formal.

Luciano também mantém ligação política com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, aliado da governadora.

Ele reforçou que segue comprometido com o trabalho institucional e com os interesses do Rio Grande do Norte, especialmente de Lagoa Nova, cidade que considera sua principal referência política.

Fonte: Tribuna do Norte

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